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Maduro ordena aplicação de preços justos a produtos básicos
Política 16 jan, 2018, 14:22

Maduro ordena aplicação de preços justos a produtos básicos

O Presidente da Venezuela ordenou na segunda-feira que seja aplicada a Lei de Preços Justos Acordados aos produtos destinados à população, para proteger o rendimento dos cidadãos perante a especulação e inflação induzida.

"Durante a semana passada, fizemos uma reunião com os donos dos supermercados, mercados e mercearias de todo o país e todos denunciaram a imposição de preços", disse Nicolás Maduro.

Maduro falava em Caracas, na mensagem anual (em janeiro de cada ano) ao país, durante uma sessão da Assembleia Constituinte, na qual anunciou ter convocado os industriais e agro-industriais para uma reunião, que se vai realizar ainda hoje.

"Há que ler-lhes a cartilha, a Lei de Preços Acordados, e obrigá-los a respeitar a lei", frisou.

Maduro acrescentou que a reunião vai ser dirigida pelo vice-presidente do Executivo, Tareck El Aissami, em conjunto com o vice-presidente de Economia, Wilmar Castro Soteldo, e o chefe da Missão Abastecimento Soberano (programa governamental) e ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

O Presidente venezuelano acrescentou que vai anunciar, em breve, "medidas muito importantes" para promover a produção, facilitar créditos, impostos, produtividade e exportação.

"Uma coisa é que facilitemos, que apoiemos o esforço nacional da empresa privada, e outra coisa é que essa empresa privada engane o povo e envie todos os produtos para o estrangeiro, sem regras", sublinhou Nicolás Maduro.

Maduro referiu, como exemplo, que água engarrafada, ervilhas, sardinhas e atum enlatado registaram um aumento de até 756% nos preços, desde 15 de dezembro último. "Tem que existir uma ação conjunta, do governo e do povo", disse.

A 05 de janeiro, a Superintentência de Defesa dos Direitos Económicos (Sundde) obrigou 214 sucursais de 26 redes de supermercados a baixar os preços dos produtos para valores inferiores aos comercializados no princípio de dezembro.

A decisão afetou, entre outras, as redes de supermercados Central Madeirense, Unicasa, Plazas, Excelsior Gama, Luvebras, propriedade de portugueses radicados na Venezuela, que consideraram "a medida injusta".

Dois dias depois, o presidente do Centro Português de Caracas, Rafael Gomes, denunciou "a indiferença" e tardia reação de Lisboa às preocupações da comunidade, durante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva.

Gomes pediu também ao responsável português que fosse "porta-voz, junto do Governo venezuelano", das queixas da comunidade portuguesa.

A 10 de janeiro último, após um encontro com o Presidente Nicolás Maduro e no final de uma visita de quatro dias à Venezuela, o chefe da diplomacia portuguesa anunciou que Caracas ia "criar um canal de comunicação com a embaixada de Portugal em Caracas para dar resposta às preocupações, dificuldades e necessidades da comunidade".

Três dias depois as autoridades suspenderam as fiscalizações às redes de supermercados na sequência de um acordo que permite aos empresários ajustar, em alta, os preços dos produtos que tiveram de baixar, gerando perdas elevadas.

O acordo foi possível, na sequência de uma reunião com representantes da Sundde, organismo que tinha imposto a descida de preços, disseram vários empresários à agência Lusa.

LUSA

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