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Kremlin afirma que europeus começam a virar costas a Kiev
Política 23 jan, 2024, 19:03

Kremlin afirma que europeus começam a virar costas a Kiev

A Presidência russa assegurou hoje que os europeus começam a virar costas à Ucrânia, um novo ataque de Moscovo numa altura em que a continuação da ajuda causa tensões internas na União Europeia e nos Estados Unidos.

“Os europeus estão a aperceber-se de que deitaram o seu dinheiro fora”, declarou Dmitri Peskov, o porta-voz do Presidente russo, Vladimir Putin, às agências noticiosas russas.

Na sua opinião, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está, portanto, “numa posição muito difícil”.

“Já não está a receber dinheiro, não há munições suficientes para ele no estrangeiro e está com problemas em casa”, na Ucrânia, acrescentou.

Nas últimas semanas, o Kremlin (Presidência russa) tem-se esforçado por apresentar os países ocidentais, principais apoiantes de Kiev, como estando desunidos perante o rumo a seguir no que diz respeito à Ucrânia, após quase dois anos de agressão russa.

O tom de Moscovo é bastante mais otimista desde o fracasso da contraofensiva ucraniana, no ano passado.

Atualmente linha da frente na Ucrânia, que se estende ao longo de cerca de mil quilómetros, encontra-se estacionária, o que é vantajoso para o exército russo, que ocupa quase 20% do território do país vizinho e tem conseguido nos últimos meses reforçar as suas posições, mobilizando a indústria nacional para lhe fornecer as munições necessárias para prosseguir a sua ofensiva.

Hoje, Dmitri Peskov congratulou-se igualmente com as divergências na classe política norte-americana, continuando os Republicanos a bloquear uma ajuda importante destinada a Kiev.

“A dada altura, [o Presidente dos Estados Unidos, Joe] Biden disse que [a ajuda à Ucrânia] era um investimento para os norte-americanos”, disse Peskov referindo-se à ajuda à Ucrânia.

“Se é disso que se trata (…), então ele abriu falência”, comentou o porta-voz de Putin.

A Ucrânia, por seu lado, diz temer o enfraquecimento do apoio ocidental, após dois anos de conflito que desgastaram a opinião pública e quando se aproximam datas importantes na União Europeia (eleições europeias em junho) e nos Estados Unidos (eleições presidenciais em novembro).

Segundo o Instituto Kiel, na Alemanha, os países ocidentais já prometeram mais de cem mil milhões de dólares (92,3 mil milhões de euros) à Ucrânia para ajudar a sua economia, destruída pelo conflito.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991, após a desagregação da antiga União Soviética, e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, mas não conheceu avanços significativos no teatro de operações nos últimos meses, mantendo-se os dois beligerantes irredutíveis nas suas posições territoriais e sem abertura para cedências negociais.

As últimas semanas foram marcadas por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, enquanto as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.

Lusa

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