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Juan Guaidó considera sentença do Supremo Tribunal da Venezuela uma `aberração jurídica`
Política 21 jan, 2019, 19:31

Juan Guaidó considera sentença do Supremo Tribunal da Venezuela uma `aberração jurídica`

O presidente da Assembleia Nacional (AN, parlamento), Juan Guaidó, disse hoje que a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de anular a direção do parlamento constitui uma "aberração jurídica, politicamente absurda".

"Não há nada de novo na decisão dos magistrados expressos (nomeados pelo regime em finais 2015). Este parlamente mantêm-se muito firme nas decisões que tomou, em avançar e trabalhar pelo povo", disse Juan Guaidó, que falava no Palácio Federal Legislativo, durante uma conferência de imprensa em que classificou a decisão do STJ como sendo "curiosa".

"Não foi a Sala Plena [plenário do tribunal], só a Sala Constitucional [uma das seis salas do STJ]. Isso foi uma aberração dos magistrados", frisou.

Juan Guaidó questionou a decisão do STJ de anular todos os atos do parlamento, inclusive a recente decisão de aprovar a entrada de ajuda humanitária no país.

"É uma decisão miserável declarar inconstitucional a ajuda humanitária, quando hoje o nosso povo morre de fome. É humana e necessária a ajuda humanitária", salientou.

Juan Guaidó apelou na ocasião às Forças Armadas da Venezuela para que respeitem o que está na Carta Magna venezuelana.

"Família militar, aí estão os que querem perseguir, os que querem continuar atemorizando", disse.

O presidente do parlamento voltou a convidar os venezuelanos a marchar na próxima quarta-feira, quando se celebra o 61.º aniversário do fim da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, em defesa da Constituição.

O STJ anulou hoje o ato de posse da direção da Assembleia Nacional (AN, parlamento), onde a oposição é maioritária, realizado no passado dia 05 de janeiro.

Aquela instância judicial anulou ainda todos os atos do parlamento, inclusive um acordo para permitir a entrada de ajuda humanitária país.

Segundo o STJ, a direção atual do parlamento, presidida por Juan Guaidó, é "inconstitucional".

"A direção da AN eleita e ajuramentada no passado 5 de janeiro de 2018 não é válida (…) os ajuramentados ocorrem em usurpação e os seus atos são nulos", anunciou o STJ.

No passado dia 10 de janeiro, Nicolás Maduro tomou posse, perante o Supremo Tribunal de Justiça, como Presidente da Venezuela para o período 2019-2025.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Maduro foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, com 6.248.864 votos (67,84%).

Um dia depois das eleições, a oposição venezuelana questionou os resultados, alegando irregularidades e a falta de respeito pelos tratados de direitos humanos ou pela Constituição da Venezuela.

Vários países manifestaram a intenção de não reconhecer o novo mandato de Nicolás Maduro.

C/ LUSA

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