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Guterres alerta para grave crise económica devido a bloqueio de Ormuz
Foto: EPA/MIGUEL A. LOPES
Política 30 abr, 2026, 20:51

Guterres alerta para grave crise económica devido a bloqueio de Ormuz

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje para “o estrangulamento da economia global” devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos no estreito de Ormuz, sublinhando que “a humanidade está a pagar o preço”.

Guterres declarou-se “profundamente preocupado com a restrição dos direitos e liberdades de navegação no estreito de Ormuz, que prejudica a distribuição de petróleo, gás, fertilizantes e outros materiais de vital importância”.

“Como em qualquer outro conflito, é a humanidade que está a pagar o preço, embora alguns estejam a obter enormes lucros”, comentou.

“O sofrimento poderá fazer-se sentir durante muito tempo”, afirmou, antes de apelar a todas as partes em conflito para que “permitam a passagem de navios” por esta importante via para o comércio global e as exportações de crude.

Segundo o responsável máximo das Nações Unidas, “32 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza, os fertilizantes estão a esgotar-se, as colheitas estão a perder-se e 45 milhões de pessoas poderão enfrentar fome extrema”.

Recordou que o mundo ainda está a recuperar do “choque que representaram a pandemia do coronavírus e a guerra na Ucrânia” e que o bloqueio do estreito de Ormuz “levará a um desastre económico” no futuro.

“Um sofrimento imenso está a abater-se sobre as populações, especialmente as mais vulneráveis do mundo, e enfrentamos o espetro de uma recessão global, com consequências dramáticas para as pessoas, a economia e a estabilidade política e social”, sustentou.

“Estas consequências não são cumulativas, mas exponenciais: quanto mais tempo esta via marítima vital permanecer bloqueada, mais difícil será reverter os danos e maior será o preço para a humanidade”, advertiu.

“Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, uma vez que uma dívida exorbitante dificulta a sua capacidade de lidar com a situação”, acrescentou.

Por isso, sublinhou que “cada dia em que os navios são impossibilitados de navegar aumenta os custos e amplifica as repercussões na economia global”.

“A minha mensagem para todas as partes é clara: os direitos e as liberdades de navegação devem ser de imediato restaurados, em conformidade com a Resolução 2817 do Conselho de Segurança”, vincou, instando: “Abram o estreito. Permitam a passagem de todos os navios. Deixem a economia global voltar a respirar”.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Washington e Teerão acordaram a 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, para negociações assentes num plano de dez pontos de Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.

O cessar-fogo foi prorrogado por tempo indeterminado a 21 de abril pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas antes de expirar, para que o Irão apresente o seu plano, cuja versão inicial previa o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.

Entretanto, Teerão mantém o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.

Lusa

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