“Da parte do que for [responsabilidade] do poder do Governo [Regional], nós queremos manter esta atividade [da Ryanair]. Reconhecemos a valia da Ryanair”, afirmou José Manuel Bolieiro aos jornalistas, quando questionado sobre se existem conversações com a transportadora irlandesa que anunciou que irá abandonar a operação nos Açores a partir de 29 de março.
José Manuel Bolieiro esclareceu que “não se trata de uma posição de governação”, uma vez que as negociações estão a ser feitas através da VizitAzores, a entidade responsável pela promoção externa do turismo regional.
“Se a intenção da Ryanair não for a que nós pretendemos, o mercado dá resposta e faremos exatamente um percurso de valorização da acessibilidade aérea aos Açores, através das respostas do mercado”, acrescentou o líder do executivo açoriano, que falava aos jornalistas em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, à margem da cerimónia de abertura da PDL26 – Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura 2026.
Na quarta-feira, o presidente executivo da companhia aérea, em entrevista à Lusa, disse que a Ryanair vai encerrar a base nos Açores no fim de março, uma “decisão final”, motivada pelas taxas aeroportuárias e pela tributação ambiental europeia.
“É a decisão final. Vamos abandonar a base em março”, afirmou o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, rejeitando qualquer possibilidade de recuo.
A Ryanair já tinha anunciado o cancelamento de todos os voos para os Açores em novembro de 2025, uma posição que levou as autoridades açorianas a alertar que as negociações com a companhia ainda não estavam encerradas.
Na terça-feira, a companhia aérea reiterou a posição manifestada em novembro do ano passado, ao garantir o cancelamento de todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de março de 2026.
Também na terça-feira, fonte da Secretaria Regional do Turismo disse à Lusa que as conversações com a Ryanair continuam para que a companhia mantenha a operação no arquipélago depois de março.
“Tanto quanto nós sabemos, as conversações continuam com a Ryanair”, disse.
Na quarta-feira, a mesma fonte reiterou que as conversações “ainda estão abertas”, contrariando as declarações de Michael O’Leary.
“Não estão em curso quaisquer conversações com o Governo dos Açores”, respondeu na quarta-feira o CEO da empresa, apontando problemas estruturais: “Em primeiro lugar, as taxas aeroportuárias na ilha são demasiado caras para o que é”, afirmou.
Lusa