Ao contrário do que aconteceu há um ano nesta discussão parlamentar, não foi sugerido nem nenhuma bancada deu tempo ao chefe do Governo para responder à oposição. PSD e CDS-PP, os partidos que suportam o executivo, tinham ainda disponíveis 30 minutos e 3 minutos, respetivamente, quando terminou a segunda e última ronda de perguntas, que se estendeu por mais de 40 minutos.
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, foi o único a lamentar explicitamente a situação, dizendo que “quem não sabe gerir o tempo não sabe gerir o país”, e aproveitou para reiterar a acusação de insensibilidade ao Governo.
A deputada do PS e antiga ministra Mariana Vieira da Silva acusou o Governo de ter falhado nas políticas de saúde e de culpar sempre outros, incluindo os imigrantes, pela falta de resultados.
“Quando uma política produz resultados opostos não se chama reformar, chama-se falhar, falhar e falhar. Os portugueses quando ouvirem o Governo dizer que vão reformar, vão ter medo. Ai, ai, o que vem a seguir”, ironizou a antiga governante.
A deputada Joana Cordeiro, pela IL, desafiou o Governo a passar da “propaganda à ação” na área da saúde e sublinhou que “governar com resultados não é apenas apresentar soluções, é pô-las a funcionar”, apontou.
Sem resposta ficou também o deputado do PS Miguel Cabrita, que questionou Montenegro se iria insistir ou deixar cair a revisão do Código do Trabalho, bem como as críticas de vários deputados sobre a nomeação de dirigentes do PSD na área da saúde.
Os problemas registados na correção digital dos exames nacionais, novas dúvidas do Chega sobre a atuação do ministro da Administração Interna, a falta de água em Almada, as políticas de habitação do Governo, a regulação do preço do combustível ou investimentos nos Açores e na Madeira foram outros dos temas que passaram por estas perguntas.
Na primeira ronda, o primeiro-ministro tinha respondido individualmente aos dez partidos, que dispunham, cada um, de cinco minutos para o questionar, gastando todo o tempo disponível.
O Governo só deverá voltar a intervir no debate do estado da nação na fase de encerramento, para a qual dispõe de dez minutos.
Lusa