Entretanto, o líder venezuelano Nicolás Maduro, no sábado capturado e retirado da Venezuela numa intervenção militar dos Estados Unidos, declarou-se inocente das acusações de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de droga, na audiência num tribunal norte-americano.
“É com pesar que aqui estou, pelo rapto de dois heróis que estão reféns nos Estados Unidos [Maduro e a mulher, Cilia Flores] (…) Tenho também a honra de prestar juramento em nome de todos os venezuelanos”, declarou Delcy Rodríguez, vice-presidente executiva de Maduro e primeira na linha de sucessão presidencial.
No sábado, o Supremo Tribunal ordenou que Rodríguez assumisse as funções de chefe de Estado para um mandato renovável de 90 dias. As Forças Armadas apoiaram a governante no domingo.
Por sua vez, o irmão de Delcy Rodriguez, Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela hoje reeleito, comprometeu-se a recorrer a “todos os procedimentos” possíveis para conseguir o regresso à Venezuela de Maduro, retirado do poder pelos EUA.
“A minha principal função nos próximos dias (…), como presidente desta Assembleia Nacional, será recorrer a todos os processos, todas as plataformas e todas as vias para conseguir trazer de volta Nicolás Maduro Moros, meu irmão, meu Presidente”, declarou Rodríguez no discurso proferido na primeira sessão da Assembleia Nacional após as eleições legislativas de maio de 2025, boicotadas por grande parte da oposição.
Os Estados Unidos lançaram no sábado “um ataque em grande escala contra a Venezuela” para capturar e julgar Maduro e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Após breves declarações num tribunal de Manhattan em que ambos se declararam inocentes nas acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais, a próxima audiência de Maduro e Cilia Flores, que vão continuar detidos, ficou agendada para 17 de março.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.
A UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González, ao passo que o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para que a ação militar norte-americana poderá ter “implicações preocupantes” para a região, expressando preocupação com a possível “intensificação da instabilidade interna” na Venezuela.
Lusa