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Costa lembra fundação do PS e valores socialistas perante “democracias ameaçadas”
Foto: EPA
Política 12 mar, 2025, 16:38

Costa lembra fundação do PS e valores socialistas perante “democracias ameaçadas”

O presidente do Conselho Europeu lembrou hoje a fundação do Partido Socialista português no exílio na Alemanha e os valores socialistas, “tão relevantes como há 100 anos”, por “as democracias estarem ameaçadas” pelas guerras e protecionismo económico.

“A Fundação Friedrich Ebert [antigo chanceler alemão, socialista] foi decisiva para que Portugal passasse de uma ditadura que durou 48 anos para uma democracia estável, uma economia dinâmica, um Estado social robusto e um membro de pleno direito da União Europeia. Um ano antes da revolução democrática, o Partido Socialista Português foi fundado no exílio na Alemanha, nas instalações da Friedrich Ebert Stiftung, em Bad Münstereifel”, cidade a cerca de 60 quilómetros de Colónia, disse hoje António Costa.

Intervindo numa cerimónia para assinalar o 100.º aniversário da Fundação Friedrich Ebert, em Berlim, o antigo primeiro-minsitro português e líder socialista acrescentou que “este apoio da Stiftung e o empenho pessoal de Willy Brandt e Helmut Schmidt foram decisivos durante o processo revolucionário, para derrotar as forças totalitárias e assegurar o triunfo da democracia, sob a liderança do Partido Socialista [português] e de Mário Soares”.

“Nunca esqueceremos a vossa amizade e apoio”, apontou, numa alusão às origens do PS.

No discurso, António Costa frisou que “os valores sociais-democratas [socialistas] são tão relevantes para o presente como o eram há 100 anos porque as democracias estão ameaçadas”.

“A guerra regressou de forma dramática como instrumento geopolítico para promover interesses nacionais, para redesenhar fronteiras, para violar o Direito internacional para impor um renascimento imperial pela força”, disse, numa alusão à invasão russa da Ucrânia, num conflito que já entrou no quarto ano.

Ao mesmo tempo, “o protecionismo e a coerção económica estão a ser utilizados para intimidar os outros, o que só pode resultar em mais inflação”, numa altura em que “direitos aduaneiros são impostos aos consumidores e às empresas”, assinalou António Costa.

Esta posição surge precisamente no dia em que a Comissão Europeia (que detém a competência da política comercial na União Europeia – UE) vai avançar com contramedidas, a partir de 01 de abril, às tarifas alfandegárias de 25% impostas pelos Estados Unidos às importações de aço e alumínio.

Surge também um dia depois de a Ucrânia ter aceitado a proposta de cessar-fogo de 30 dias apresentada pelos Estados Unidos, aguardando-se agora o aval russo.

O líder da instituição europeia que junta os chefes de Governo e de Estado da UE falou ainda na “desinformação maciça está a ameaçar os processos democráticos” e no “principal adversário” que é o populismo.

“E é por isso, caros amigos, que a social-democracia continua a ser tão importante hoje em dia. Temos de responder às ameaças que pesam sobre as nossas democracias, dando aos cidadãos garantias e confiança no futuro”, adiantou.

Face aos atuais desafios da UE, António Costa, afirmou ainda que “a Europa deve continuar a apoiar a Ucrânia, porque a segurança da Ucrânia é a segurança da Europa” e que o bloco comunitário “tem de adquirir os meios para se defender contra agressões militares” através de maior investimento em defesa em capacidades como defesa aérea e antimísseis e também para a guerra eletrónica (como as ameaças cibernéticas e a desinformação).

Lusa

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