Esta viragem à direita, analisa a agência noticiosa France-Presse (AFP) surge numa altura crucial para uma Alemanha surpreendida pelas declarações de choque do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a guerra na Ucrânia – alinhando-se mais com o invasor russo -, pelos receios de uma rutura na ligação transatlântica e pelas ameaças de aumento das tarifas aduaneiras.
Previsto como vencedor há vários meses, o partido conservador CDU e o seu aliado bávaro CSU são creditados com uma pontuação de cerca de 29% nas sondagens realizada à “boca da urna” transmitidas pelos canais públicos de televisão ARD e ADF.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em segundo lugar, com 19,5% a 20%, o dobro de há quatro anos e um resultado histórico para este partido criado em 2013.
A respetiva líder, Alice Weidel, saudou o “resultado histórico” do seu partido. “Nunca fomos tão fortes a nível nacional”, declarou.
No entanto, o campo conservador está a excluir qualquer aliança com a AfD, apesar de um “flirt” parlamentar sobre questões de imigração e segurança durante a campanha eleitoral.
O chanceler cessante, Olaf Scholz, não conseguiu convencer os muitos eleitores indecisos a apoiar o seu Partido Social-Democrata (SPD), que obteve entre 16% e 16,5% dos votos.
Segundo admitiu Scholz, os resultados foram um fracasso sem precedentes para o partido mais antigo da Alemanha.
Os Verdes, aliados do governo de Scholz, também perderam estas eleições, com uma quota de 12-13,5%.
Os resultados dos pequenos partidos e a sua capacidade de ultrapassar o limiar mínimo de 5% dos votos para entrar no Bundestag poderão desempenhar um papel importante neste contexto.
De acordo com as sondagens, o FDP está perto da marca dos 5%, tal como o BSW, uma nova formação conservadora de esquerda que defende a suspensão do fornecimento de armas à Ucrânia.
O Die Linke, de esquerda radical, confirmou a sua recuperação das últimas semanas (8,5 a 9%).