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Chega pede ao PCP que retire moção de censura
Foto: Lusa
Política 3 mar, 2025, 20:56

Chega pede ao PCP que retire moção de censura

O líder do Chega pediu hoje ao PCP para retirar a moção de censura, que considerou ser "um frete", para que o Governo apresente uma moção de confiança, a "única forma de clarificar" a situação política.

Em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, André Ventura indicou que o Chega vai abster-se na votação da moção de censura apresentada pelo PCP, caso mantenha o mesmo texto, justificando que o partido “dificilmente poderá votar favoravelmente a um texto que diz que a direita é responsável pelo Estado em que Portugal está”. Se o PCP alterar os fundamentos da moção e “censurar o comportamento do primeiro-ministro”, “aí terá o apoio” do Chega, indicou.

“O PCP está a fazer um enorme frete ao Governo”, acusou o presidente do Chega, apelando aos comunistas que retirem a iniciativa, para que o parlamento faça “a discussão que é preciso fazer”, ou seja, da moção de confiança apresentada pelo Governo e que o Chega votará contra.

André Ventura considerou que o primeiro-ministro sabe que “a única forma de clarificar” se tem condições para continuar em funções “é apresentar uma moção de confiança ao parlamento, é perguntar ao parlamento se ainda confia nele”.

“A última palavra será da Presidente da República, mas eu queria deixar claro que o parlamento não se deve desresponsabilizar disto”, defendeu, pois “é o parlamento que representa as várias forças vivas do povo português e é o parlamento que deve exigir transparência aos governantes”.

Neste momento, “há a desconfiança profunda em relação à sua integridade, em relação à sua honestidade e em relação à sua transparência”, disse.

André Ventura admitiu que “não é o melhor momento” para novas legislativas, mas acusou o PS de ter “medo de eleições” e de estar “a dar a mão do Governo”, ao permitir que se mantenha em funções. Na sua ótica, também o PCP tem receio de novas legislativas e de perder representatividade na Assembleia da República.

Por isso, “dá-se a coisa curiosa de que quem ficará a sustentar o Governo é o PCP e o PS”, afirmou, considerando que é uma situação “inimaginável”.

“Se andarmos a pensar quem vai favorecer ou beneficiar com novas eleições, o nosso resultado decisório é de um mero taticismo político”, disse Ventura, acrescentando: “se pusermos a transparência e a honestidade acima de tudo, não nos importa o resultado eleitoral, nem quem é beneficiado ou quem é prejudicado, importa-nos dizer que este primeiro-ministro sob suspeita não tem nenhuma condição de continuar a governar Portugal e que ou é substituído à frente do Governo ou o Presidente deve convocar novas eleições”.

Questionado sobre a possibilidade de o PSD indicar um novo primeiro-ministro, o líder do Chega disse que não lhe agradaria e assinalou que “a doutrina do Presidente da República não tem sido essa”, mas sim dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições.

Ventura voltou a defender a demissão de Luís Montenegro, considerando haver uma “degradação das instituições” devido ao caso em torno da sua empresa familiar, e afirmou que um “primeiro-ministro não pode continuar com estas fortes suspeitas sobre si no exercício das funções” e deve prestar mais esclarecimentos ao país.

O líder do Chega insistiu que o caso deve ser analisado pela Entidade para a Transparência e que, caso o primeiro-ministro “entenda que deve manter-se sem dar nenhum esclarecimento ao país, mesmo com este avolumar de suspeitas gravíssimas sobre a sua conduta e sobre o seu passado”, o partido irá propor uma comissão de inquérito.

André Ventura considerou que podem estar em causa crimes como “ocultação de património e enriquecimento indevido”, “branqueamento de capitais” e “procuradoria ilícita”.

Lusa

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