“Ainda não sabemos o que vai acontecer amanhã na reforma laboral que o Governo apresenta”, afirmou André Ventura já na reta final do debate da proposta de lei de revisão da legislação laboral, na Assembleia da República.
O líder do Chega considerou que, nesta matéria, o hemiciclo parlamentar divide-se em “dois hemisférios”, um que “sabe que não é o ideal, mas quer alcançar alguma coisa para quem trabalha, e o outro hemisfério, que quer deixar tudo igual”.
“Porque, na verdade, apesar de décadas e anos a falarem de férias, apesar de décadas e anos a falarem de licença parental, a falarem do trabalho por turnos, a falar da amamentação, o que lhes custa mesmo muito é não ter sido nenhum deles, mas o Chega a alcançar a grande vitória dos trabalhadores em Portugal”, sustentou.
André Ventura salientou que, depois da votação da proposta de lei, na sexta-feira, os trabalhadores vão perguntar “quem conseguiu mais dias de férias”, “quem conseguiu corrigir um erro na amamentação e nos direitos das mães”, quem “conseguiu pagamento por turnos a um milhão de pessoas”, “quem falou de um teto para reformas milionárias”, respondendo que “foi o Chega”.
O líder do Chega sustentou também que os trabalhadores “quererão saber o que é que na vida deles melhorou, ainda que seja um pouco”.
“Quando ao fim do dia o país se perguntar, e de toda esta discussão, e de toda esta gritaria, o que é que conseguimos nas férias, nos lutos, na proteção do trabalho, na licença parental, eles saberão que não foi nem o PS, nem o Livre, nem o Bloco, foi o Chega e temos muito, muito orgulho em fazer isto por Portugal, pelos trabalhadores e pelos pensionistas deste país”, afirmou.
Numa intervenção anterior, o líder parlamentar do PSD afirmou que “esta proposta vai ser aprovada”.
Hugo Soares considerou que a possibilidade de o diploma ser aprovado “está a causar uma urticária tremenda ao PS”.
“O PS está mais perto desta nossa proposta do que aquilo que eles dizem, a questão é meramente tática. O PS queria mesmo era demonstrar que o Governo não tinha condições de governar e não era capaz de transformar, essa é que é a razão deste não é não, é não, é não do PS”, afirmou.
O secretário-geral do PSD acusou também o PS de dizer “não é não” aos portugueses”.
Hugo Soares disse que o “não é não” da AD referia-se “a um acordo de governação com o Chega”, a um “acordo escrito de governação ou de apoio maioritário no Parlamento”.
“Portugal conhece o nosso não é não. Coisa bem diferente, para que se perceba de uma vez por todas, aqui no Parlamento e lá fora, é a obrigação que nós, enquanto deputados, temos de poder dialogar com todos os partidos que têm representação parlamentar e aprovar em cada momento e em cada instante com os partidos que querem transformar Portugal”, defendeu.
Lusa