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Política 25 abr, 2021, 12:55

«Abril não se cumprirá cabalmente enquanto não encararmos de frente a corrupção»

O BE defendeu este domingo que o 25 de Abril ficará por cumprir cabalmente enquanto não se encarar “de frente a corrupção”, avisando que a revolta resultante deste fenómeno “é explorada por muitos para fazer crescer o seu negócio político”.

A deputada Beatriz Gomes Dias foi a escolha dos bloquistas para o discurso na sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril de 1974, que decorre hoje no parlamento, pelo segundo ano consecutivo em formato reduzido devido à pandemia.

“Abril também não se cumprirá cabalmente enquanto não encararmos de frente a corrupção. A corrupção é o cimento da injustiça económica e da desigualdade. Ela mina a democracia, corrói a justiça e ameaça a coesão social”, avisou.

A já anunciada candidata do BE à Câmara de Lisboa nas próximas eleições autárquicas enfatizou que “a corrupção depreda recursos e faz prevalecer as escolhas erradas sobre as escolhas certas”, defendendo que ninguém pode “aceitar pagar” preço destas escolhas erradas.

“A revolta que daí resulta é explorada por muitos para fazer crescer o seu negócio político”, acusou.

No entanto, para a deputada bloquista não podem restar dúvidas que “denúncia da corrupção não pode ser o ‘cavalo de Troia’ de agendas políticas autoritárias de descredibilização das instituições da democracia”, que vêm muitas vezes da parte de “quem mais explicações tem a dar sobre os seus métodos e transparência diante das regras da lei”.

“A falta de vergonha chega ao ponto de termos um advogado que vem de um escritório de planeamento fiscal, a subir a esta tribuna para clamar contra a fuga ao fisco”, atirou, numa crítica implícita ao deputado do Chega, André Ventura.

Para Beatriz Gomes Dias, é preciso enfrentar a corrupção “com coragem e determinação”, com melhorias nos mecanismos legais e judiciais de prevenção, investigação e punição, mas também “através duma ação política e cidadã exigente”.

“Não aceitamos que a promessa de igualdade contida na Constituição de abril seja mercadejada. A soberania do povo e a sua representação não são uma mercadoria. Isso mesmo foi o que Abril nos deixou como lição: o mais essencial dos bens comuns de um povo é a democracia e ela não pode ser tornada propriedade de ninguém, nem tratada como mercadoria. A nossa democracia não está à venda”, sublinhou.

O discurso da deputada do BE começou com uma homenagem aos militares de Abril e a todas as mulheres e homens que lutaram ao longo de décadas contra a ditadura do Estado Novo.

“Num país que tantas vezes padece de uma memória seletiva, lembro também todas e todos os combatentes pela libertação dos países africanos ocupados pelo regime colonial português, que conheciam bem o alcance da sua luta”, enalteceu, considerando que também a eles se deve a revolução de 1974.

Para Beatriz Gomes Dias, “nunca é demais” lembrar as conquistas de Abril como eleições livres, SNS, escola pública ou o direito à greve, mas também é preciso “lembrar que elas não são irreversíveis”.

“O ressurgimento de forças populistas ou fascistas um pouco por todo o mundo, incluindo em Portugal, deve alertar-nos e mobilizar-nos para a defesa intransigente da democracia”, alertou.

Apesar de todas as conquistas, para a bloquista a promessa de igualdade e de justiça trazida pelo fim da ditadura “anda está longe de ser cumprida”, dando o exemplo dos níveis inaceitáveis de pobreza que existem em Portugal.

“47 anos depois do 25 de Abril de 1974 a plena igualdade de direitos ainda é uma miragem para muitas pessoas no nosso país”, lamentou, dando o exemplo das mulheres, das pessoas negras e ciganas, dos migrantes e refugiados, das pessoas LGBTQI+ ou das pessoas com, bem como os idosos.

C/Lusa 

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