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Ouro aproxima-se pela primeira vez na história dos 4.000 dólares por onça
Foto: REUTERS/Mike Segar/File Photo
Economia 5 out, 2025, 16:12

Ouro aproxima-se pela primeira vez na história dos 4.000 dólares por onça

O ouro, um ativo refúgio para os investidores em momentos de incerteza, aproxima-se pela primeira vez na sua história dos 4.000 dólares por onça, impulsionado pelas compras massivas dos bancos centrais, pela fraqueza do dólar e pelo contexto geopolítico.

Até o início de outubro, o ouro valorizou-se mais de 46%, prevendo-se que este seja o seu melhor ano desde 1979, e na última quinta-feira, 02 de outubro, bateu o seu último recorde, ao ficar perto de 3.900 dólares por onça (3.896,85 dólares). Só em setembro, o preço aumentou 11,92%.

O analista do Singular Bank, Nicolás López, explicou à Efe que o ouro é um dos ativos com maior valorização nos últimos meses, impulsionado pelos bancos centrais de todo o mundo, em particular os dos mercados emergentes, que quiseram diminuir o peso das suas reservas em dólares.

Para o diretor de investimentos da Mutualidad de la Abogacía, Pedro del Pozo, o ouro e, em geral, os metais preciosos “estão a viver um verdadeiro ‘boom’”.

Na sua opinião, a subida do ouro reflete o medo em relação à guerra das tarifas alfandegárias, à guerra na Ucrânia ou ao conflito em Gaza.

O ouro, sendo um ativo refúgio, provavelmente continuará em alta “durante algum tempo”, acredita.

Na mesma linha, os analistas do Bank of America aumentaram o preço-alvo do ouro para 4.000 dólares, refletindo o impacto da pressão inflacionista causada pelas tarifas, das tensões geopolíticas globais e do défice estrutural dos Estados Unidos.

Os analistas do Deutsche Bank também consideram provável que o ouro se mantenha em alta devido à forte procura e à queda do dólar, divisa que está a perder “o seu estatuto de moeda de elevado rendimento” e cuja trajetória reflete a tendência dos investidores estrangeiros para investir em ativos norte-americanos com cobertura cambial.

Por sua vez, os especialistas do Bankinter argumentam que o ouro, que mantém uma correlação historicamente inversa à do dólar, poderá situar-se acima dos 4.000 dólares, impulsionado pela fraqueza da moeda norte-americana, movimento que, segundo as suas estimativas, se manterá.

Os analistas do grupo bancário Julius Baer avaliaram se o ouro tem um teto de valorização e concluíram que tanto este metal precioso como a prata aceleraram o ritmo de valorização depois de uma reação inicialmente moderada ao corte das taxas da Reserva Federal dos Estados Unidos.

“As expectativas de novos cortes nas taxas de juro tornaram-se um fator-chave para o desempenho dos preços, impulsionando a procura por ouro e prata”, sublinham os analistas, acrescentando que os bancos centrais também voltaram a este mercado, o que reforça as expectativas de compras contínuas.

Neste contexto, a instituição financeira mantém uma tendência “construtiva tanto para o ouro como para a prata”, porque “os investidores não parecem estar totalmente fartos do ouro e da prata, uma vez que continuam as entradas de capital em produtos com respaldo físico”.

No caso do ouro, dizem, “as entradas ascendem a cerca de 400 toneladas” desde o início do ano, prevendo-se que 2025 seja “o melhor desde 2020”.

Com a alta do ouro, outros metais tiveram um forte aumento de preço no ano. A prata subiu mais de 60% e se aproxima do seu melhor ano desde 2010.

Lusa

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