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Venezuela: Igreja alerta que se avizinham tempos mais escuros para os venezuelanos
Sociedade 16 nov, 2020, 23:28

Venezuela: Igreja alerta que se avizinham tempos mais escuros para os venezuelanos

A Igreja Católica alertou esta segunda-feira que se “avizinham tempos mais escuros” para a Venezuela, a partir de 2021, com a imposição de um Estado comunal que consolidará a revolução e intensificará o processo de “islamização” do país.

O alerta foi feito por monsenhor Mário Moronta, bispo de San Cristóbal, num longo documento a que chamou “algumas reflexões sobre o que vem”, após as eleições legislativas previstas para 06 de dezembro.

“Gostemos ou não, seja legítima ou não, se imporá uma nova Assembleia Nacional [nas eleições de dezembro]. Em 2021 terá lugar o início do novo Estado ‘comunal’ [tipo de organização social, política e económica], com o desaparecimento definitivo de tudo o que cheira ao passado”, explica.

Segundo o bispo “começará uma nova etapa, a consolidação da revolução” que “eliminará, tudo o que é importante”, inclusive “alguns nomes vão ser mudados”, entre eles “o de paróquia cuja origem é eclesiástica”.

“Será o momento de implementar definitivamente o ‘poder popular’ que se fará sentir desde o novo ‘poder comunal’”, sublinha.

Por outro lado, refere que recentemente o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, apresentou o seu homólogo Mohammad Javad Zarif, “como o irmão amado” do Irão, um “facto aparentemente inocente que contém um complexo conjunto de ações e compromissos”.

“Os iranianos não estão tão interessados nos recursos venezuelanos quanto outras nações, o que os encorajou a penetrar na Venezuela foi estabelecer uma base estratégica de caráter geopolítico. A Venezuela converte-se agora de forma clara e pacífica em parceira do Irão, permitindo-lhe colocar suas bases de operações no nosso país”, afirma Mário Moronta.

Para a Igreja Católica “não se trata de receber petróleo, nem de compartilhar urânio, a sua presença tem o objetivo geopolítico de conquistar um espaço de penetração num lugar privilegiado da América Latina”.

Por outro lado, o bispo de San Cristóbal relembra que o falecido presidente Hugo Chávez (que presidiu ao país entre 1999 e 2013), “sempre falou de 2021 como uma data mítica”. Também da sua simpatia com o teórico marxista italiano António Gramsci e diz que usou “a estratégia gramsciana” de nomear Nicolás Maduro como seu sucessor.

“Talvez seja tarde demais para reverter o que vem, mas não é tarde para prepararmos melhor para enfrentar algo que já está à volta da esquina (…) Queixamo-nos que não há gasolina, que os serviços públicos não funcionam e que não há gás (…) destruir e impor um Estado é a única forma de mudar a sociedade. Destrói-se a indústria petrolífera, destrói-se o aparelho produtivo, para que renasça uma ‘nova Venezuela’”, explica.

Segundo Mário Moronta, o novo “poder popular” é o processo pelo qual o trabalho, estudo, recreação “das classes subalternas se transmutam numa célula constituinte de um poder social alternativo”, assumindo “a necessidade de expandir a consciência governamental do povo”, o que significa que só esse poder “pode estar no topo da sociedade”.

Por outro lado, o clérigo questiona o porquê dos venezuelanos não terem reagido quando os políticos governamentais diziam que a oposição jamais voltaria ao poder, ou se surpreendem quando o ministro da Defesa diz que já se sabe quem ganhará as eleições de 06 de dezembro.

Por outro lado, lembra que a Conferência Episcopal Venezuelana alertou que abster-se nas próximas eleições legislativas não é suficiente, e diz que a proposta de consulta opositora, prevista também para dezembro é “válida e interessante”.

“É importante tomar consciência do desastre em que estamos, do que vem, do tempo que se perdeu e do que podia ter sido e não foi”, afirma, sublinhando que “o caminho não será nem curto nem fácil”.

C/Lusa 

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