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Sociedade 28 nov, 2017, 15:20

Tráfico de droga na internet profunda aumenta

Na "Darknet", o modelo de negócio predominante é a venda a retalho, em quantidades pequenas, sobretudo de cocaína e cannabis, e em quantidades maiores no que toca a ecstasy e opióides (Vídeo)

Milhões de pessoas compram droga anonimamente ‘online’, escondidas na "Internet Negra" que as autoridades encaram como uma ameaça crescente à saúde e à segurança, segundo um relatório hoje apresentado em Lisboa.

Num relatório elaborado pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em inglês), sedeado em Lisboa, e pela Europol, conclui-se que o mercado de drogas na "Darknet" é volátil, com vendedores e compradores a mudarem rapidamente de plataforma quando são descobertos e requer conhecimentos tecnológicos que faltam às autoridades.

O diretor do Observatório, Alexis Goosdeel, salientou que "com alguns cliques, pode comprar-se qualquer tipo de droga na ‘Darknet’, sejam sintéticas, ‘cannabis’, cocaína, heroína ou uma série de novas substâncias psicoativas"
.
O comissário europeu para os Assuntos Internos, Dimitris Avramopoulos, defendeu que a polícia precisa de "estar um passo à frente" dos criminosos em vez de "jogar à apanhada", indicando que a política tem que ser trabalho em conjunto entre autoridades policiais, administrações centrais e organismos comunitários.

"O nosso objetivo é evitar que grandes lucros provenientes da venda de drogas acabem nos bolsos de grupos de crime organizado na Europa e fora dela, mas acima de tudo proteger a saúde dos nossos cidadãos, em particular a dos nossos jovens", declarou.

Uma das conclusões do relatório é que faltam peritos capazes e investimento, notando-se que dentro da União Europeia se verifica que "a muitas autoridades faltam peritos que tenham ao mesmo tempo conhecimentos tecnológicos para investigar o cibercrime e combater o tráfico de estupefacientes".

Os mercados da ‘Darknet’ são comparáveis a outros serviços de transações, como o eBay ou a Amazon, mas os seus utilizadores conseguem manter o anonimato usando programas como o Tor, um dos mais conhecidos, que filtra os dados de cada utilizador e passa-os por milhares de servidores diferentes, impossibilitando a sua localização.

Os "sites" em que se movimentam são invisíveis aos motores de busca convencionais e é frequente mudarem de endereço.

Criado pela Marinha norte-americana, o Tor é legal e foi criado para possibilitar o acesso à Internet sob anonimato em regimes repressivos.

Estima-se que atualmente, cerca de dois milhões de pessoas usem o Tor, que proporciona acesso a cerca de 5.000 serviços anónimos, mais de metade dos quais usados para fins ilícitos.

Motores de busca como o Grams permitem a um utilizador pesquisar pelos termos que lhe interessam e ser levado às ofertas dos vendedores disponíveis.

Com nomes como Silk Road 3.0, Dream Market ou Valhalla, o Observatório e a Europol afirmam que há 14 mercados atualmente a funcionar, com volumes de venda de drogas "atualmente modestos, mas com significado e com potencial para crescer".

Entre 2011 e 2016, as maiores fatias da venda de drogas pela ‘Darknet’ efetuada dentro da União Europeia provieram da Alemanha (26,6 milhões de euros), o Reino Unido, (20.3 milhões) e Holanda (17,9 milhões).

Na ‘Darknet’, o modelo de negócio predominante é a venda a retalho, em quantidades pequenas, sobretudo de cocaína e ‘cannabis’, mas em quantidades maiores no que toca a ‘ecstasy’ e opióides.

Analisando milhares de transações, verifica-se que um grama de cocaína custa em média 84 euros e cinco gramas de ‘cannabis’ custam cerca de 60 euros.

Na avaliação da Europol e do Observatório, a ‘Darknet’ "afirmou-se como uma plataforma-chave para oferecer todo o tipo de bens e serviços".

"Difícil de policiar e de fácil acesso", serve para distribuir principalmente drogas, que compõem dois terços da atividade total, mas também armas de fogo, bens contrafeitos e documentos fraudulentos, a um ritmo "florescente e altamente dinâmico".

O anonimato torna difícil às autoridades avaliar exatamente até que ponto o crime organizado está presente ou controla estes mercados.

LUSA

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