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Sobe para sete o número de mortos em protestos contra Maduro
Sociedade 24 jan, 2019, 01:31

Sobe para sete o número de mortos em protestos contra Maduro

O número de manifestantes mortos durante os protestos ocorridos na quarta-feira em toda a Venezuela contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro aumentou para sete, de acordo com o mais recente balanço das autoridades hoje divulgado.

Quatro pessoas foram mortalmente baleadas na cidade de Barinas, no sul do país, segundo o porta-voz da oposição Freddy Superlano.

A mesma fonte acrescentou que membros da polícia e da Guarda Nacional estavam a dispersar os manifestantes no final de uma marcha da oposição quando o tiroteio começou, fazendo igualmente três feridos.

No Estado de Tachira, três pessoas morreram em protestos na cidade de San Cristobal, indicou um porta-voz da Proteção Civil local.

Dezenas de milhares de pessoas em Caracas e por toda a Venezuela saíram à rua na quarta-feira para apoiar o dirigente máximo da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino e expressou a intenção de convocar “eleições livres”

"Levantemos a mão: Hoje, 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação [da Presidência da República], um Governo de transição e eleições livres", declarou.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 03 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

A 15 de janeiro, numa coluna de opinião publicada no diário norte-americano The Washington Post, Juan Guaidó invocou artigos da Constituição que instam os venezuelanos a rejeitar os regimes que não respeitem os valores democráticos, declarando-se “em condições e disposto a ocupar as funções de Presidente interino com o objetivo de organizar eleições livres e justas”.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e quase toda a América Latina, à exceção de México, Bolívia e Cuba, e da Rússia – que se mantêm ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela -, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que “os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados” e instando à “abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional”.

Da parte do Governo português, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, expressou na quarta-feira pleno respeito pela “vontade inequívoca” mostrada pelo povo da Venezuela, disse esperar que Nicolás Maduro “compreenda que o seu tempo acabou” e apelou para a realização de “eleições livres”.

A Venezuela enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

C/ LUSA

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