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Rússia treinou pilotos bielorrussos para usarem armas nucleares
Sociedade 14 abr, 2023, 16:53

Rússia treinou pilotos bielorrussos para usarem armas nucleares

A Rússia anunciou que a Força Aérea bielorrussa completou hoje o treino para usar armas nucleares táticas, no âmbito do seu plano para as estacionar na aliada Bielorrússia enquanto trava uma guerra na vizinha Ucrânia.

O Ministério da Defesa russo divulgou um vídeo em que um piloto bielorrusso afirma que o curso de treino na Rússia deu às tripulações dos caças-bombardeiros Su-25 da Força Aérea bielorrussa os conhecimentos necessários para utilizar tais armas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, declarou no mês passado que Moscovo planeava posicionar algumas das suas armas nucleares táticas na Bielorrússia, em mais uma tentativa de acenar com a ameaça nuclear para desencorajar o Ocidente de apoiar a Ucrânia.

A Rússia tem um acordo de aliança com a Bielorrússia que prevê relações políticas, económicas e militares próximas.

As tropas russas usaram o território bielorrusso para invadir a Ucrânia a partir do norte em fevereiro do ano passado e mantiveram-se desde então presentes na Bielorrússia.

O estacionamento de armas nucleares táticas russas na Bielorrússia colocá-las-á mais perto de potenciais alvos na Ucrânia e em Estados-membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) na Europa de leste e central.

A Bielorrússia partilha uma fronteira de 1.250 quilómetros com os membros da NATO Letónia, Lituânia e Polónia.

Esse tipo de armas destina-se a destruir tropas inimigas no campo de batalha; têm um alcance relativamente curto e muito menos poder que ogivas nucleares instaladas em mísseis estratégicos de longo alcance, com capacidade para arrasar cidades inteiras.

Putin indicou que a construção de infraestruturas para instalar armas nucleares táticas na Bielorrússia estaria concluída até 01 de julho.

Moscovo também ajudou a modernizar a aviação de combate bielorrussa para a adaptar para o transporte de armas nucleares e forneceu a Minsk mísseis de curto alcance Iskander, que podem ser equipados com ogivas nucleares.

O líder do Kremlin também sublinhou que a Rússia manterá o controlo sobre quaisquer armas nucleares enviadas para a Bielorrússia, tal como os Estados Unidos controlam as suas armas nucleares táticas estacionadas no território dos seus aliados da NATO.

O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, sugeriu que algumas das armas nucleares estratégicas da Rússia poderão também ser posicionadas na Bielorrússia, juntamente com parte do arsenal nuclear tático de Moscovo.

O ministro da Defesa bielorrusso, Viktor Khrenin, referiu hoje novamente essa hipótese, afirmando que “poderá ser o próximo passo”, se o Ocidente continuar aquilo que descreveu como “a sua hostil linha de ação”.

“Só responderemos à força com força. De outro modo, eles, no Ocidente, não percebem”, declarou Khrenin, acrescentando: “Já estamos a preparar as estruturas que temos”.

A Bielorrússia, o Cazaquistão e a Ucrânia tinham armas nucleares soviéticas nos respetivos territórios, mas devolveram-nas à Rússia após o desmembramento da União Soviética, em 1991.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 415.º dia, 8.490 civis mortos e 14.244 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
Lusa

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