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Rússia pede ajuda do Brasil no FMI, Banco Mundial e G20
Sociedade 14 abr, 2022, 20:03

Rússia pede ajuda do Brasil no FMI, Banco Mundial e G20

A Rússia pediu oficialmente o apoio diplomático do Brasil junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e no G20, num momento em que enfrenta sanções devido à invasão na Ucrânia, informou hoje o jornal brasileiro O Globo.

“Pedimos o seu apoio para evitar acusações políticas e tentativas de discriminação em instituições financeiras internacionais e fóruns multilaterais. Supomos que agora, mais do que nunca, é crucial preservar um clima de trabalho construtivo e a capacidade de promover o diálogo no FMI, no Banco Mundial e no G20”, diz uma carta enviada pelo ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, ao ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes.

O jornal brasileiro informou que teve acesso ao documento enviado nesta semana e no qual o governante russo salientou ao ministro brasileiro que “quase metade das reservas internacionais da Federação Russa foram congeladas, as transações de comércio exterior estão bloqueadas, incluindo aquelas com nossos parceiros de economias de mercados emergentes.”

“Existem dificuldades em cumprir as obrigações da dívida soberana apenas devido à falta de acesso às nossas contas em moeda estrangeira”, acrescentou.

Na carta, Siluanov também frisou que os Estados Unidos estariam a adotar uma política de isolar o país da comunidade internacional.

“Foi exercida uma enorme pressão sobre a Presidência indonésia para que não nos convidasse para as reuniões do G20. O trabalho nos bastidores está em andamento no FMI e no Banco Mundial para limitar ou até mesmo expulsar a Rússia do processo de tomada de decisões”, disparou.

“Os países avançados também estão a fazer declarações antagónicas e avaliações extremamente distorcidas e tendenciosas da situação na Ucrânia”, completou o ministro russo.

O Brasil não apoia as sanções impostas à Rússia e tem atuado para evitar medidas que possam prejudicar o comércio de fertilizantes já que a Rússia, e também a Ucrânia, são fornecedores destes produtos largamente utilizados pelo agronegócio brasileiro.

Falando sobre as sanções, Siluanov considerou que “tais ações são inaceitáveis e vão contra os princípios básicos e as disposições estabelecidas nos Artigos do Acordo das organizações de Bretton-Woods.”

“Acreditamos que o desrespeito aos princípios e espírito do multilateralismo, bem como a contínua condenação e a retórica dura, só agravarão a situação da economia mundial, que ainda não se recuperou da pandemia. Consideramos que a atual crise causada por sanções económicas sem precedentes impostas pelos países do G7 pode ter consequências duradouras, a menos que tomemos ações conjuntas para resolvê-la”, afirmou o ministro russo.

Apesar de o Brasil ter votado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a Rússia numa resolução que condenava as ações de Moscovo, o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, tem sido ambivalente nas suas declarações, tendo mesmo chegado a elogiar o seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Bolsonaro, que visitou Moscovo poucos dias antes da Rússia invadir a Ucrânia, tem evitado condenar as ações do Kremlin e diz que a postura brasileira é de "equilíbrio" e "neutralidade".

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.793 civis, incluindo 176 crianças, e feriu 2.439, entre os quais 336 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Lusa

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