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Rússia anuncia acordo para retirar combatentes feridos de Azovstal
Sociedade 16 mai, 2022, 17:33

Rússia anuncia acordo para retirar combatentes feridos de Azovstal

O Ministério da Defesa russo anunciou hoje um acordo para retirar combatentes ucranianos feridos que se encontram entrincheirados no complexo siderúrgico de Azovstal, o último bastião da resistência ucraniana na cidade portuária de Mariupol.

As autoridades ucranianas não confirmaram, até agora, qualquer acordo.

“Um regime de silêncio [das armas] está em vigor atualmente e um corredor humanitário aberto, pelo qual os soldados ucranianos feridos estão a ser transportados para os estabelecimentos médicos de Novoazovsk”, em território controlado pelas forças russas e pró-russas, indicou o ministério russo em comunicado.

Segundo o texto, trata-se do resultado de negociações com representantes dos próprios militares ucranianos que estão escondidos numa rede de túneis no perímetro daquele gigantesco complexo industrial.

A Defesa russa não precisou quantas pessoas serão retiradas do local.

De acordo com as autoridades ucranianas, encontram-se ainda lá cerca de 1.000 soldados, 600 dos quais feridos.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou na sexta-feira à noite “negociações muito difíceis” para retirar os soldados gravemente feridos e o pessoal médico da siderurgia.

Mulheres, crianças e idosos que estavam refugiados nas instalações foram todos retirados no final de abril, graças a uma operação coordenada pela ONU e pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha.

A cidade portuária estratégica de Mariupol foi totalmente devastada pelas tropas russas, no âmbito da ofensiva iniciada a 24 de fevereiro sobre território ucraniano.

A guerra na Ucrânia, que hoje entrou no 82.º dia, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou até agora que 3.573 civis morreram e 3.816 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

Lusa

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