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Putin assegura que política de sanções do ocidente fracassou
Sociedade 18 abr, 2022, 17:27

Putin assegura que política de sanções do ocidente fracassou

O Presidente da Rússia afirmou hoje que a política de sanções do ocidente devido à invasão da Ucrânia fracassou, já que a economia russa "está a estabilizar", enquanto o nível de vida dos europeus está "a descer".

O objetivo do ocidente era "minar rapidamente a situação financeira e económica do nosso país, causar pânico nos mercados e o colapso do sistema bancário, além de uma enorme escassez de produtos nas lojas", afirmou Vladimir Putin, durante uma reunião com membros do Governo sobre a situação económica do país.

Putin assegurou, no entanto, que "já se pode dizer, com confiança, que essa política relativa à Rússia falhou, que a estratégia de guerra-relâmpago económica falhou".

Segundo garantiu, as sanções tiveram impacto nos próprios países que as promoveram, em termos de "aumento da inflação e de desemprego, de deterioração da dinâmica económica nos Estados Unidos e nos países europeus, de descida do nível de vida dos europeus e de desvalorização das suas economias".

"A Rússia resistiu a essa pressão sem precedentes. A situação está a estabilizar, a taxa de câmbio do rublo voltou aos níveis da primeira quinzena de fevereiro e é sustentada por uma balança de pagamentos objetivamente forte", disse Putin.

No primeiro trimestre, adiantou, o excedente da conta corrente do balanço de pagamentos ultrapassou os 58 mil milhões de dólares (53,7 mil milhões de euros), o que constitui "um recorde histórico".

Desde que a Rússia lançou a campanha militar na Ucrânia, o rublo caiu quase 30% em relação ao dólar e ao euro, uma queda que já não acontecia desde pelo menos 1993 e 1994.

Na opinião de Putin, a inflação "está agora a estabilizar", apesar de os preços ao consumidor terem aumentado 9,4% em apenas um mês e meio (até 08 de abril), para 17,5%, relativamente ao período homólogo do ano passado.

Da mesma forma, "as divisas estão a voltar ao sistema bancário do país e o volume de depósitos dos cidadãos está a crescer", tendo melhorado 1,6% nos primeiros 10 dias de abril, segundo disse hoje a governadora do Banco Central russo, Elvira Nabiullina.

Putin adiantou ainda que o número de desempregados continua relativamente baixo, sublinhando o facto de, segundo garantiu, haver bons indicadores sobre a utilização da eletricidade produzida.

De acordo com dados de 30 de março, divulgados pela agência federal de estatísticas Rosstat, o desemprego na Rússia caiu de 4,4% em janeiro para 4,1% em fevereiro, relativamente aos mesmos meses do ano passado, o que representa o valor mais baixo desde 1991, embora ainda não haja dados do mês passado (março), quando muitas empresas internacionais suspenderam as suas atividades no país ou deixaram o mercado russo no cumprimento das sanções económicas impostas pelos países ocidentais.

De acordo com declarações avançadas hoje pelo presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, cerca de 200.000 pessoas (só na capital) podem perder os seus empregos devido ao fecho de empresas estrangeiras.

No final de março, Sobyanin disse que cerca de 300 empresas internacionais já fecharam atividade na capital russa desde o início da operação militar na Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Quanto ao consumo, o Presidente considerou que, "depois de um breve ‘boom’ de vários produtos, que acontece sempre nestas situações, a procura nas lojas voltou ao normal".

Putin pediu ainda ao Governo que acelere a transição dos contratos de comércio internacional para rublos e para as moedas dos países considerados "parceiros confiáveis".

A ofensiva militar lançada pela Rússia na Ucrânia já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de cerca de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para os países vizinhos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Lusa

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