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Provas físicas deixaram de ser obstáculo à recruta dos candidatos a praças do Exército
Sociedade 13 ago, 2017, 18:04

Provas físicas deixaram de ser obstáculo à recruta dos candidatos a praças do Exército

As provas físicas de classificação e seleção exigidas aos candidatos a praças do Exército deixaram em meados de março de ter caráter eliminatório, o que permitiu ao ramo aumentar a base de recrutamento.

Num primeiro balanço da medida, em vigor desde o dia 17 de março, o Exército registou que 379 jovens dos cerca de 1.180 que foram chamados a prestar provas entre março e junho teriam sido liminarmente excluídos por inaptidão física no início do processo de seleção caso os critérios não tivessem sido alterados.

Questionado pela Lusa, o porta-voz do Exército, tenente-coronel Vicente Pereira, garantiu que a medida "tem caráter transitório e será reavaliada anualmente" e não prejudica a qualidade da formação, estando assegurado "o mesmo nível de exigência e rigor".

"Estima-se sim um aumento de candidatos aptos que se aproxime das necessidades do Exército", acrescentou.

Com esta medida, mesmo sem atingirem os mínimos físicos, os candidatos que forem considerados aptos nas restantes provas podem aceder à fase de recruta e os treinos diários "conseguem garantir ao soldado-recruta a aptidão física que não tinha quando se candidatou", sublinhou.

Na categoria de praças, os candidatos têm de correr 12 minutos, fazer abdominais por um minuto, extensões de braços no solo e transpor um muro com 60 centímetros de altura.

Para além das provas físicas, os candidatos continuam a passar por provas de aptidão psicológica, provas médicas de seleção e entrevista.

Fonte militar ligada ao processo de recrutamento explicou que, por vezes, candidatos com boas pontuações nas provas de aptidão psicológica e nas provas médicas eram excluídos por terem falhado "um ou dois abdominais" ou "uma ou duas flexões".

As novas regras não se dirigem a candidaturas às tropas especiais ou ao quadro permanente, que continuam a ter requisitos específicos mais apertados, esclareceu.

Segundo a mesma fonte, "o rigor está assegurado" e ninguém assina contrato com o Exército sem que tenha atingido no final do processo todos os requisitos físicos exigidos.

A medida foi a resposta encontrada pela chefia do Estado-Maior do Exército para enfrentar um dos fatores que contribuía para a diminuição da base de recrutamento sentida ao longo dos anos, em consequência da baixa progressiva da natalidade ou da quebra do número de voluntários.

A inaptidão nas provas físicas, que continuam a ser obrigatórias, era o principal motivo de exclusões, rondando "20 por cento dos candidatos", disse à Lusa fonte militar.

Já nas exclusões por razões médicas, cerca de 10% em média, surgem no topo os problemas de audição e visão.

O Exército regista também um elevado número de desistências nas várias fases do processo de seleção e recrutamento.

"Não há um padrão uniforme, varia conforme a época do ano, a região do país, talvez uma média de 20% de taxa de atrição" no global, disse a mesma fonte.

No início de julho, o plano de incorporações do Exército estava cumprido a 53% para oficiais (79), 100% para o primeiro de dois cursos de sargentos (175) e a 42% para praças (1.575), segundo dados fornecidos pelo ramo.

A próxima incorporação para a categoria de praças é em 20 de outubro.

LUSA

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