Num comunicado divulgado por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o IPYS realçou que alguns jornalistas já não assinam os seus artigos e aprenderam a exercer a profissão dentro de “certos limites”, para poderem continuar a fazer reportagens.
Nesse sentido, afirmou que oito em cada 10 jornalistas “reconheceram ter modificado a sua forma de trabalhar em resposta a um ambiente que impõe limites”, como o da Venezuela.
Por isso, prosseguiu o IPYS, o impacto já não se mede “apenas em ataques registados”, mas em algo que considera “mais difícil de quantificar”, como os temas que os jornalistas deixam de cobrir, as perguntas que evitam fazer e as histórias que nunca são contadas.
“Prisões de jornalistas enquanto cobriam notícias, revisão e eliminação forçada de material jornalístico, ataques físicos e verbais, encerramento de estações e avisos públicos contra órgãos de comunicação social demonstraram que documentar e divulgar informação continua a envolver um risco imediato, mesmo em momentos de grande visibilidade”, denunciou a organização não-governamental (ONG).
O IPYS defendeu uma “reconstrução democrática”, que, no seu entender, exige a recuperação de “um mínimo de garantias atualmente ausentes” e implica “o fim da perseguição judicial”, a libertação integral “daqueles que foram presos por se expressarem” e o desmantelamento “dos mecanismos que sustentam a censura estrutural”.
Isto inclui o desbloqueio de veículos de comunicação social digital, a reposição de concessões, a garantia de acesso efetivo à informação pública e o fim da “vigilância e intimidação de jornalistas e cidadãos”.
Por sua vez, o Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) da Venezuela informou hoje ter registado 87 ataques contra jornalistas e órgãos de comunicação social entre janeiro e abril deste ano, período marcado pelo ataque norte-americano a Caracas e pela detenção do Presidente Nicolás Maduro, que levou ao Governo interino de Delcy Rodríguez.
Numa publicação no jornal X, o CNP detalhou que documentou 18 detenções consideradas arbitrárias, 16 casos de obstrução da cobertura jornalística, 15 deportações de correspondentes estrangeiros, 11 “ataques diretos” (sem especificar o tipo), 10 casos de supressão de material, nove casos de assédio, quatro atos de intimidação e o mesmo número de encerramentos de estações de rádio.
A Venezuela ocupa a última posição entre 23 países avaliados no Índice Chapultepec de Liberdade de Expressão e Imprensa de 2025, segundo um relatório divulgado em março pela Associação Interamericana de Imprensa (AIIP), que analisa as condições para o exercício do jornalismo nas Américas.
A Venezuela, juntamente com a Nicarágua, está entre os países “sem liberdade de expressão”, segundo o relatório.
Lusa