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Pelo menos 444 presos políticos foram libertados na Venezuela
Foto: EPA
Sociedade 16 fev, 2026, 11:55

Pelo menos 444 presos políticos foram libertados na Venezuela

A organização não governamental (ONG) Foro Penal, que lidera a defesa jurídica dos presos políticos na Venezuela, disse que verificou 444 libertações no último mês, desde que o Governo interino anunciou um processo de libertação.

O presidente da organização, Alfredo Romero, indicou na rede social X que este número inclui as libertações ocorridas entre 8 de janeiro e as 21:30 de domingo (01h00 de hoje em Lisboa).

O Foro Penal precisou que “não são consideradas libertações os casos em que, após sair de um centro de detenção, a pessoa permanece privada de liberdade sob prisão domiciliar”, como acontece com vários opositores, entre eles o antigo deputado Juan Pablo Guanipa, próximo da líder da oposição María Corina Machado.

Há uma semana, Juan Pablo Guanipa, próximo da Prémio Nobel da Paz María Corina Machado, e Perkins Rocha, conselheiro jurídico da maior coligação da oposição, foram libertados da prisão juntamente com um grupo de outros activistas políticos.

No entanto, Rocha continua em prisão domiciliária, assim como Guanipa, que voltou a ser detido no mesmo dia em que foi libertado, acusado pelo Ministério Público de violar as condições da liberdade condicional.

Na terça-feira, a família anunciou que Juan Pablo Guanipajá estava em prisão domiciliária na sua residência em Maracaibo, capital do estado de Zulia, no noroeste da Venezuela.

Na segunda-feira, a Foro Penal disse que 644 pessoas permaneciam detidas na Venezuela por motivos políticos, incluindo 564 homens e 80 mulheres.

Dentro deste grupo, 459 são civis e 185 militares, e apenas um deles é menor de idade. Entre os presos políticos, há 55 estrangeiros ou com dupla nacionalidade.

Na sexta-feira à noite, um grupo de presos políticos no comando policial conhecido como Zona 7 iniciou uma greve de fome para exigir a libertação. Horas depois, vários familiares iniciariam também uma greve de fome.

Duas de dez mulheres familiares de presos políticos venezuelanos que entraram em greve de fome, em Caracas, tiveram no sábado os primeiros problemas de saúde.

Uma familiar desmaiou duas vezes e outra manifestava dores de cabeça e alteração da pressão arterial e os familiares dizem ter recebido informações de que os presos políticos estão a ser obrigados a comer, sob ameaça de “celas de castigo”.

O Comité de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela, liderado por María Corina Machado, lamentou na rede social X que os familiares sejam “castigados com a incerteza, com o silêncio imposto, com a dor de não saber” se os seus próximos serão libertados.

Machado valorizou ainda o facto de os familiares terem deixado claro que “não descansarão, não se calarão, não irão embora, até que cada um deles seja livre”.

Há uma semana, o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, esteve no exterior do comando da polícia na Zona 7 e garantiu que as libertações seriam efetivadas assim que o parlamento aprovasse a lei de amnistia, mas a discussão foi adiada.

 

Lusa

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