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ONU pede 1,4 mil milhões de euros para refugiados palestinianos
Sociedade 24 jan, 2023, 12:58

ONU pede 1,4 mil milhões de euros para refugiados palestinianos

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA), organização que enfrenta um défice orçamental crónico, pediu hoje uma ajuda de 1,6 mil milhões de dólares (1,47 mil milhões de euros) para 2023.

Desse montante, 848 milhões de dólares (779,8 milhões de euros) destinam-se a apoiar serviços básicos, como necessidades de saúde e educação, enquanto 781,6 milhões de dólares (719 milhões de euros) serão gastos para financiar operações de emergência em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Síria e Líbano.

"A UNRWA continua a desempenhar um papel indispensável na vida de milhões de refugiados palestinianos. Nós esforçamo-nos para manter a prestação de serviços básicos num contexto financeiro e político incrivelmente difícil", sublinhou o diretor-geral da organização, Philippe Lazzarini, num comunicado.

“Os refugiados palestinianos – uma das comunidades mais carentes da região – enfrentam desafios sem precedentes e dependem cada vez mais da UNRWA para serviços básicos e, em alguns casos, para sobreviver”, acrescentou Lazzarini.

Segundo a agência da ONU, a maioria dos refugiados palestinianos vive agora abaixo da linha da pobreza e muitos dependem da ajuda humanitária da UNRWA.

O apelo de emergência pede 311,4 milhões de dólares (287 milhões de euros) para Gaza; 32,9 milhões de dólares (30,4 milhões de euros) para a Cisjordânia; 247,2 milhões de dólares (228 milhões de euros) para a Síria; 160 milhões de dólares (147 milhões de euros) para o Líbano; e 28,8 milhões de dólares (26,8 milhões de euros) para a Jordânia.

De acordo com a UNRWA, os desafios acumulados ao longo de 2022 – nomeadamente o “subfinanciamento, as crises globais competitivas, a inflação, as interrupções nas cadeias de suprimentos, a dinâmica geopolítica e os níveis vertiginosos de pobreza e o desemprego entre os refugiados palestinianos” – estão a colocar a agência da ONU à prova.

"Voltei recentemente da Síria, onde testemunhei em primeira mão o sofrimento e desespero indescritíveis. A situação dos refugiados palestinianos neste país infelizmente reflete-se em outros lugares, como no Líbano e em Gaza, onde a situação dos refugiados palestinianos chegou ao fundo", afirmou Lazzarini.

"Muitos disseram-me que tudo o que pedem é poder levar uma vida digna. Não é pedir muito”, sublinhou.

A crise económica no Líbano desde 2019 – uma das piores dos tempos modernos – foi um duro golpe para comunidades vulneráveis, incluindo os refugiados palestinianos.

Segundo a agência da ONU, a taxa de pobreza dos refugiados no Líbano, que era de quase 70 por cento no início de 2022, agora chega a 93%.

A UNRWA foi criada em 1949, um ano após a criação de Israel, para ajudar os mais de 750 mil palestinianos que fugiram ou foram expulsos durante a guerra de 1948, bem como os seus descendentes.

Lusa

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