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Maioria quer continuar a trabalhar a partir de casa
Sociedade 31 mai, 2021, 21:58

Maioria quer continuar a trabalhar a partir de casa

Menos de metade dos portugueses ainda estava em teletrabalho em março, um ano após o início da pandemia de Covid-19, mas a grande maioria preferia continuar a trabalhar a partir de casa, de forma integral ou em regime misto.

Estas são algumas das conclusões, hoje divulgadas, de um estudo do Observatório da Sociedade Portuguesa, da Universidade Católica em Lisboa, que procurou perceber o impacto da pandemia na vida dos portugueses.

Em março do ano passado, a pandemia de Covid-19 obrigou a maioria dos portugueses a ficar em casa, mas muitos puderam continuar a trabalhar, trocando o escritório por uma divisão de casa.

Um ano depois, dos mil inquiridos entre 27 e 30 de março, apenas 41,4% continuavam em teletrabalho, mas desses a grande maioria preferia manter-se nessa situação ou num regime misto.

“80,4% dos participantes mostram-se interessados ou muito interessados em continuar no regime de teletrabalho”, revelam os resultados, que apontam também que 77,9% gostavam de trabalhar a partir de casa até quatro dias por semana.

Por outro lado, aqueles que ainda estão em teletrabalho concordam que têm conseguido gerir o seu trabalho de forma autónoma, mas referem uma “diminuição da perceção de qualidade das condições de trabalho”.

Além do teletrabalho, o estudo avaliou também os níveis de satisfação em relação às medidas de restrição e de desconfinamento, à vacinação e ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), e os hábitos de consumo dos portugueses.

Em relação à vacinação contra a Covid-19, 69,5% dos inquiridos tencionam ser vacinados e a maioria acredita tanto na proteção conferida pela vacinação (82,2%), como confia nas próprias vacinas (69,1%).

Ainda assim, cerca de metade dos inquiridos (51,9%) considera que há vacinas mais seguras do que outras e a minoria que ainda está indecisa acerca da vacinação (17%) ou não tenciona ser vacinado (6,4%) justifica a sua posição sobretudo com o receio dos efeitos secundários ou a descrença na eficácia da vacina.

Quanto às entidades envolvidas no combate à pandemia, os resultados do inquérito apontam uma satisfação “bastante elevada” quanto à prestação dos médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares do SNS.

Em relação ao reforço das medidas de restrição durante o período da Páscoa, os inquiridos consideraram-no eficaz, em níveis moderadamente elevados, sobretudo a proibição de circulação entre concelhos durante a Semana Santa (66,4%) e a aplicação de coimas em caso de desrespeito das medidas de restrição (66,5%).

Já sobre o desconfinamento, cuja primeira fase arrancou em 15 de março, apenas cerca de metade dos inquiridos reportou níveis de concordância com o momento da implementação das medidas, sendo que pouco menos de metade (44,9%) defende, por exemplo, que a venda ao postigo no comércio não essencial deveria ter sido permitida mais cedo, à semelhança de livrarias e bibliotecas (45,9%), mas ao contrário do levantamento da proibição das deslocações para fora do território continental, que para 46,8% deveria ter acontecido mais tarde.

Para a segunda, terceira e quarta fases, mantém-se a mesma tendência, com cerca de metade dos participantes a concordarem com os prazos definidos para ambas.

Sobre os padrões de consumo, o estudo conclui que “os portugueses acreditam que no período pós-pandemia irão voltar a consumir apenas moderadamente, em relação à forma como o faziam antes da pandemia”, mas manifestam a intenção de começar a consumir produtos mais saudáveis e sustentáveis.

O relatório refere ainda que, um ano após o início da pandemia da Covid-19 em Portugal, os portugueses estão mais otimistas em relação ao futuro e sentem-se mais relaxados, contentes e calmos, e menos preocupados, ansiosos e tensos.

C/Lusa 

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