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Empresários venezuelanos declaram estado de emergência por falta de eletricidade
Sociedade 25 abr, 2018, 00:05

Empresários venezuelanos declaram estado de emergência por falta de eletricidade

A Câmara de Comércio de Maracaibo (CCM) declarou-se hoje em "emergência elétrica" devido aos frequentes e cada vez mais longos apagões de eletricidade naquela cidade, capital do Estado venezuelano de Zúlia.

Situado a 700 quilómetros a oeste de Caracas, o Estado de Zúlia, tem por base económica, desde 1912, a produção petrolífera e de gás natural, cobrindo 80% da produção venezuelana de hidrocarbonetos, sendo também uma importante região agrícola, de produção de gado e piscatória, em que residem milhares de portugueses.

"A crise elétrica colapsa o Zúlia. A crise estrutural em matéria económica e social que ameaça a sociedade venezuelana acentua-se aceleradamente devido aos problemas do setor elétrico nacional", alerta a CCM em comunicado.

Na nota, a CCM explica que a origem da crise está "na aplicação de políticas públicas equivocadas", pelo Governo venezuelano, que centralizou o sistema elétrico, que no passado e durante 122 anos foi gerido entre organismos públicos e privados, e que "foi um exemplo" para o país.

"Hoje temos uma só empresa estatal centralizada, a Corpoelec (…) que tem tratado a crise elétrica com racionamentos que acabam por estrangular a produção industrial e comercial, afetando diretamente o bem-estar das comunidades", explica a CCM, recordando que a região tem importantes recursos para produção hidroelétrica.

Os comerciantes queixam-se que a atual infraestrutura elétrica, construída entre os anos de 1960 e 1998, se deteriorou devido à falta de manutenção e de investimentos, a que acrescem falhas na atualização de tecnologia e a fuga de recursos humanos capacitados.

"Queremos produzir, mas a falta de um serviço elétrico fiável constitui um obstáculo que impede a manutenção dos níveis de produção de bens e serviços, já em si reduzidos", cponsidera a CCM.

No comunicado, a CCM insta o Governo venezuelano a recuperar a produção de eletricidade, paralisada por falta de manutenção, a descentralizar o serviço elétrico, a pedir a ajuda de peritos para procurar soluções e o regresso ao sistema de meritocracia (carreira profissional por méritos), em que os encarregados pelas centrais não sejam nomeados por motivos políticos.

A CCM pretende ainda que as autoridades concluam os projetos que tem para centrais termoelétricas e estabeleça parcerias com o setor privado.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes os apagões elétricos e o racionamento de energia, que nalgumas regiões chega a prolongar-se por vários dias.

O executivo liderado pelo Presidente Nicolás Maduro atribui os apagões a atos de sabotagem, enquanto que os analistas reclamam, desde há vários anos, pela falta de manutenção, investimento, pelo mau estado de algumas centrais e pela caducidade da infraestrutura.

Os especialistas consideram ainda que a capacidade de produção elétrica é inferior à procura, razões pela qual ocorrem os apagões.

LUSA

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