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Dezenas de responsáveis, jornalistas e ativistas detidos ou desaparecidos
Sociedade 25 mar, 2022, 18:53

Dezenas de responsáveis, jornalistas e ativistas detidos ou desaparecidos

Dezenas de opositores à invasão russa da Ucrânia, incluindo responsáveis, jornalistas e ativistas ucranianos, foram arbitrariamente detidos pelas forças russas ou desapareceram, denunciou hoje a ONU, considerando que alguns casos equivalem a uma "tomada de reféns".

Em pouco mais de um mês desde o início da ofensiva russa ordenada por Vladimir Putin, o Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas recebeu informações sobre a detenção arbitrária e o desaparecimento forçado de 22 responsáveis locais ucranianos, dos quais 13 já foram libertados.

O caso mais conhecido foi o do autarca da cidade de Melitopol, sudeste da Ucrânia, Ivan Fedorov, que segundo as autoridades ucranianas foi raptado pelas forças de ocupação russas e detido durante vários dias, antes de ser libertado.

"Parece ser um modo de atuar nas zonas ocupadas pela Federação Russa", declarou Matilda Bogner, representante do Alto Comissariado na Ucrânia, durante uma conferência sobre o ponto de situação do conflito em curso realizada por videoconferência.

"Em alguns casos, parece ser uma forma de fazer reféns", sublinhou, acrescentando que os familiares não foram informados do local para onde os prisioneiros foram levados.

Bogner deu também conta da detenção de 15 jornalistas e ativistas que se "opõem vivamente à invasão", em várias regiões do país.

"Parece que os alvos são ativistas pró-ucranianos ou que são considerados pró-ucranianos pelas forças russas", declarou.

A responsável sublinhou que o pessoal da ONU tenta verificar informações segundo as quais cinco jornalistas e três ativistas foram depois libertados, mas a sorte das outras pessoas "continua desconhecida".

Sete jornalistas foram já mortos desde o início da invasão a 24 de fevereiro, declarou ainda a representante.

Estes profissionais constam entre as vítimas civis contabilizadas até ao momento.

O Alto Comissariado confirmou a morte de 1.081 civis, entre os quais 93 crianças, segundo a sua metodologia muito precisa, mas sublinhou que o balanço real é bem mais elevado.

Bogner deu o exemplo da cidade cercada de Marioupol, constantemente bombardeada pelas forças russas, o que não permite confirmar formalmente o número de mortes.

Para Matilda Bogner, a amplitude de perdas civis e a destruição de infraestruturas civis "sugerem fortemente" que as leis internacionais sobre a proteção de civis foram violadas no conflito ucraniano.

"Estes ataques causaram sofrimento humano incomensurável e podem constituir crimes de guerra", insistiu.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou, entre a população civil, pelo menos 1.081 mortos, incluindo 93 crianças, e 1.707 feridos, entre os quais 120 são menores, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, das quais 3,7 milhões foram para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Lusa

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