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Covid-19: O país “não pára” com declaração de estado de emergência
Sociedade 18 mar, 2020, 17:17

Covid-19: O país “não pára” com declaração de estado de emergência

O Primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que "o país não pára", mesmo sob estado de emergência, e que o Governo tudo fará para que se mantenha a produção e distribuição de bens e serviços essenciais.

António Costa falava ao país após um Conselho de Ministros Extraordinário, na qual anunciou que o Governo deu parecer favorável à decisão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de decretar o estado de emergência.

"Para salvar vidas, é fundamental que a vida continue e tudo aquilo que são as cadeias de abastecimentos essenciais continue a ser assegurado, os serviços essenciais continuem a ser prestados, porque os nossos cidadãos, em particular os mais fragilizados, necessitam que toda a cadeia de bens e serviços essenciais continuem a funcionar", defendeu.

"O país não vai parar, nós temos de continuar, porque só continuando damos um combate eficaz a esta pandemia", afirmou.

Se a proposta de decreto presidencial for hoje aprovada pelo parlamento, o Conselho de Ministros voltará a reunir-se na quinta-feira para aprovar as medidas que lhe dão execução e o primeiro-ministro já solicitou ajuda técnica e científica para as desenhar.

"Hoje, no Ministério da Saúde, reuni com a ministra, secretários de Estado, Direção-Geral da Saúde, presidente do Instituto Nacional de Saúde, presidente do Conselho Nacional de Saúde Pública, a quem solicitei que, até ao final do dia de hoje, habilitassem o Governo com base técnica e científica o mais sólida possível e a recomendação de medidas ao Governo", informou.

O primeiro-ministro considerou essencial que os decisores políticos "continuem a agir com base em informação científica e técnica" e não com base nas "opiniões voluntaristas" dos políticos.

"É desta forma rigorosa que iremos continuar a fazer, com estado de emergência ou sem estado de emergência, tomar as medidas que são essenciais, adequadas e proporcionais", assegurou.

Questionado como irá aplicar o decreto de estado de emergência, depois de ter dado a entender que este não era necessário, o primeiro-ministro assegurou que "o Governo cá está para dar execução" ao diploma, com o mesmo critério que tem aplicado até aqui.

"Fazermos tudo o que é necessário, nada mais do que é necessário, limitar ao mínimo a anormalidade da vida das pessoas e tudo fazer para salvar a vida das pessoas", disse.

António Costa deixou ainda um apelo aos portugueses: "Mantenham a serenidade, calma, confiança, é muito importante todos estarmos cientes que estamos perante uma pandemia que é um risco para a saúde de todos nós, mas há condições para a ultrapassarmos, sobretudo se todos agirmos com a serenidade e a calma que se impõem neste momento".

O primeiro-ministro alertou que o estado pandémico "durará meses" e que não se trata de dizer às pessoas "que fiquem em cada amanhã, mas por um período bastante mais extenso".

"Por isso, tem de ser assegurado que bens e serviços essenciais continuam a ser produzidos, distribuídos e comercializados, senão assistiremos ao que não há nenhuma razão para assistir, que são corridas em massa à procura de bens", referiu.

Questionado quando entrarão em vigor as medidas e de que forma será organizada a circulação de pessoas, o primeiro-ministro referiu que, se o parlamento aprovar a proposta de decreto presidencial, esta "entra imediatamente em vigor".

"A partir, desse momento, fica o Governo habilitado a tomar medidas no âmbito do que está definido no decreto", referiu.

Por razões sanitárias, o Conselho de Ministros passará a reunir-se no Palácio da Ajuda, que o primeiro-ministro apontou como o único local onde há indicações para respeitar as regras de afastamento social recomendadas pela Direção Geral de saúde.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou quarta-feira o número de casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que na terça-feira. O número de mortos no país subiu para dois.

C/Lusa

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