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Covid-19: Bertrand entra em lay-off
Sociedade 16 abr, 2020, 19:17

Covid-19: Bertrand entra em lay-off

A Bertrand entrou em lay-off e está a negociar com os proprietários das lojas ocupadas pelas livrarias uma redução do valor das rendas, para fazer face à crise desencadeada pela Covid-19, que levou à quase paralisação do setor.

A informação foi dada à Lusa pelo administrador do grupo BertrandCírculo, Elísio Maia, que admite “dificuldades de tesouraria” que obrigaram àquelas tomadas de decisão, estando ainda a ser ponderadas, em conjunto com as editoras, medidas a tomar para “minimizar os impactos da crise”.

Com a primeira declaração do estado de emergência, aprovada no dia 19 de março, que começou a vigorar no dia 22 de março, foram suspensas todas as atividades comerciais não essenciais – e entre as essenciais definidas pelo diploma não se encontram as livrarias -, o que levou a Bertrand a fechar portas, mantendo em funcionamento apenas a livraria online.

“Não obstante a falta de receitas das lojas desde o dia 22, os nossos custos fixos mantêm-se, destacando-se as despesas com pessoal e rendas”, assinalou o responsável, admitindo ter-se visto forçado a recorrer “ao regime de apoio extraordinário à manutenção dos postos de trabalho”, o correntemente designado lay-off simplificado.

Elísio Maia disse ainda estar em “diálogo com os proprietários das lojas, com vista à redução de custos com as respetivas rendas”, uma vez que a Bertrand está impedida de as utilizar “para a finalidade que foi contratada”.

Quanto ao pagamento de faturas aos fornecedores da Livraria Bertrand, o administrador afirmou que “não foi tomada qualquer medida de caráter geral, embora não se possam escamotear as dificuldades de tesouraria que a situação coloca, forçosamente, a qualquer retalhista obrigado a suspender a sua atividade”.

Até o recurso à devolução dos livros colocados pelos editores, e que neste momento não estão a ser vendidos, é uma possibilidade afastada pelo responsável, porque “acarretaria elevados custos logísticos e, acima de tudo, poderia afetar as vendas no reinício de atividade”.

“É essa ponderação que temos feito em conjunto com os nossos fornecedores, procurando equilibrar os interesses de ambas as partes. Felizmente, temos relações comerciais francas e sólidas com praticamente todos os editores e distribuidores portugueses e conseguiremos, estamos certos, minimizar os impactos desta crise – sem precedentes e que a todos afeta – em toda a cadeia de valor do setor livreiro”, sublinhou.

De acordo com o site Bertrand Livreiros, o grupo possui 54 livrarias físicas, de norte a sul do país, estando mais de 30 dessas lojas localizadas em galerias ou centros comerciais.

Várias dezenas de livrarias independentes já tinham dado sinal da grave situação que atravessam e que as levou, no início do mês, a unirem-se para criar uma rede de cooperação com o objetivo de conjugar esforços para enfrentar a crise no setor, denominada RELI – Rede de Livrarias Independentes.

Além disso, também enviaram uma carta aberta aos órgãos de soberania, com um conjunto de propostas para os ajudar a sobreviver à crise, que passam por medidas de apoio à tesouraria e às rendas.

Antes disso, já as editoras tinham anunciado que suspendiam a produção de novidades e que se viravam para as vendas online, em alguns casos praticando descontos, para conseguirem sobreviver, face à crise no setor, que esvaziou e fechou as livrarias.

Este cenário passa-se um pouco por toda a Europa e na semana passada, antecedendo a reunião de ministros da Cultura da União Europeia, a federação europeia de editores escreveu uma carta a alertar para a "gravosa situação" do setor livreiro, e a solicitar apoio financeiro para aliviar os efeitos da crise.

Desta reunião não saíram medidas específicas para o mercado livreiro, mas sim a ideia de que alguns programas financeiros europeus para enfrentar a crise causada pela Covid-19 – como a iniciativa de investimento, orçada em 37 mil milhões de euros, e o instrumento de mitigação de desemprego, no valor de 100 mil milhões de euros – vão poder ser utilizados no setor cultural e criativo.

Até ao momento, o Ministério da Cultura ainda não anunciou medidas específicas para este setor.

Em março, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse à Lusa que, naquilo que são "as medidas para o estado de emergência, nada, pelo contrário, proíbe uma livraria de vender à porta, no postigo”.

A ministra sublinhou, na altura, que os livros também são um bem de primeira necessidade.

C/Lusa

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