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Conselho de Direitos Humanos marca reunião extraordinária a pedido de Kiev
Sociedade 09 mai, 2022, 18:58

Conselho de Direitos Humanos marca reunião extraordinária a pedido de Kiev

O Conselho de Direitos Humanos da ONU realizará na quinta-feira uma sessão extraordinária, respondendo a um pedido de Kiev apoiado por dezenas de países, sobre "a deterioração da situação dos direitos humanos na Ucrânia" invadida pela Rússia.

"Hoje solicitámos uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para examinar a deterioração da situação dos direitos humanos na Ucrânia", comunicou a embaixadora ucraniana na ONU, Yevheniia Filipenko, num vídeo publicado no Twitter.

Pouco depois, as Nações Unidas anunciavam que a reunião se realiza a 12 de maio e que o pedido de Kiev foi apoiado por outros 15 Estados-membros do Conselho, incluindo França, Gâmbia, Japão, México, Estados Unidos e Polónia, e por 36 países observadores, incluindo Bulgária, Hungria, Suíça e Turquia.

"Juntos, estamos a enviar outra mensagem forte a [ao Presidente da Rússia, Vladimir] Putin e ao seu grupo de criminosos de guerra: está isolado como nunca antes", disse Filipenko no vídeo.

No Twitter, a missão da Ucrânia junto das Nações Unidas exorta o Conselho dos Direitos Humanos a "agir em resposta às terríveis violações e crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia".

"Queremos que a ONU tome medidas concretas para combater as violações dos direitos humanos cometidas pela Rússia na Ucrânia e os crimes de guerra que comete diariamente contra o nosso povo", exortou a embaixadora ucraniana.

"Isto inclui uma investigação da Comissão de Inquérito sobre crimes cometidos pela Rússia em Bucha e outras áreas libertadas", acrescentou.

A diplomata ucraniana referiu ainda que "esta é também uma oportunidade para a comunidade internacional se concentrar na situação em Mariupol, bem como nas transferências forçadas da população e outras violações contra civis ucranianos inocentes".

Na primeira reunião extraordinária, em 3 e 4 de março, sobre a situação dos direitos humanos na Ucrânia resultante da agressão russa, o Conselho dos Direitos Humanos aprovou uma resolução através da qual decidiu criar com urgência uma comissão de inquérito internacional independente.

Foi a primeira vez que este órgão da ONU aprovou este mecanismo para um país na Europa e em relação a um dos cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas: a Rússia.

O colombiano Pablo de Greiff, o norueguês Erik Mose e Jasminka Dzumhur, da Bósnia-Herzegovina, foram posteriormente nomeados membros dessa comissão de inquérito.

A Ucrânia convocou agora uma segunda reunião urgente e recebeu o apoio de dezenas de países para o efeito.

Desde o primeiro debate, vários massacres de civis foram reportados, nas cidades de Bucha, Borondianka, Hostomel e Chernigov, após a retirada das tropas russas, que recuaram para a zona mais a leste e sudeste da Ucrânia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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