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Imagem de Confinamentos pioraram casos de osteoporose
Sociedade 10 mai, 2021, 10:25

Confinamentos pioraram casos de osteoporose

A Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) alertou que os confinamentos prejudicaram a mobilidade de quem sofre de doenças músculo-esqueléticas e pioraram os casos de osteoporose, doença que afeta acerca de 800.000 portugueses.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da SPR, Helena Canhão, disse que os números de casos terão aumentado não só pelo envelhecimento da população, mas também pelos confinamentos, durante os quais muitas pessoas deixaram de fazer o pouco exercício que habitualmente faziam, perdendo massa muscular e massa óssea.

A responsável falava à Lusa no dia em que arranca nas farmácias comunitárias uma ação de rastreios para atualizar os dados sobre quem sofre desta doença e chamar a atenção para a importância de conhecer a saúde dos ossos, lembrando que a osteoporose é responsável por cerca 40 mil fraturas ósseas, incluindo cerca de 12 mil fraturas da anca, responsáveis por quase 1.500 mortes todos os anos.

“Temos notado, por exemplo, nos idosos que faziam as suas compras, com o confinamento e com receio de serem contaminados, acabaram por ficar isolados. Em muitos casos a família ia levar a comida a casa, aliás, no primeiro confinamento até ficavam à porta”, explicou a especialista.

Helena Canhão disse ainda que com esta perda de massa muscular e massa óssea – “que é estimulada pelo exercício de carga, como caminhar“ – os idosos caem mais.

“O confinamento também teve efeitos a nível cognitivo. A pessoa fica com maior mais confusão mental e mais dificuldade de se equilibrar. Temos visto um agravar destes problemas”, acrescentou.

A presidente da SPR explicou que, como a osteoporose, por si só, não provoca dor e se manifesta por fraturas, “às vezes as pessoas não fazem a ponte e não percebem a relação entre a fratura e a doença”.

“Ainda há muito trabalho a fazer nesta área”, considerou a especialista, que adiantou que a osteoporose é mais frequente na mulher (uma mulher por cada quatro homens), sublinhando que “quanto mais junto da idade da menopausa maior é a diferença entre os sexos”.

“Notamos um aumento enorme com a descida dos estrogénios na menopausa”, lambrou.

Com o avançar da idade, “quando as pessoas já não amparam a queda com os pulsos, mas caem para ao lado e acabam por quebrar o colo do fémur”, a diferença entre homens e mulheres com osteoporose já não é tão significativa.

Helena Canhão explicou ainda que nos idosos, como as pessoas já têm menor mobilidade, “estas fraturas limitam-nas ainda mais, pois obrigam muitas vezes os doentes a ficarem imóveis, na cama, e muitas acabam por morrer de outras complicações, como por exemplo as infeções respiratórias”.

Segundo explicou, “20% destes doentes morrem logo no pós-complicação da fratura e no primeiro ano de vida, quase metade acaba por falecer porque fica acamada e infeta e a maior parte delas não volta a ter a capacidade funcional e autonomia que tinha antes”.

Helena Canhão explicou que o osso, independentemente da idade, “está sempre a ser remodelado, sempre a ser formado e absorvido”, lembrando: “Se tivéssemos sempre o mesmo osso não conseguíamos lidar com os impactos que temos todos os dias”.

Disse ainda que até aos 25 anos a massa óssea vai aumentando com a idade e que o que determina o pico de massa óssea de uma pessoa tem que ver com três fatores: alimentação, exercício físico e genética.

Por isso, defendeu que tem de haver “um grande investimento com as crianças na alimentação e em terem uma vida saudável para atingirem no fim da adolescência e no início da idade adulta o maior pico de massa óssea”.

Lembrou que, por exemplo, “as crianças que são doentes e quem precisa de tomar corticoides durante a adolescência, assim como as pessoas que sofrem de problemas na tiroide (…) acabam por não conseguir atingir o pico de massa óssea e mais rapidamente têm osteoporose”.

A presidente da SPR recordou que o pico de massa óssea vai descendo com a idade, uma queda que é mais brusca nas mulheres na menopausa e, por isso defende uma primeira avaliação nesta altura (em pessoas saudáveis e sem problemas anteriores que aumentem o risco da doença).

“Se for uma pessoa com menopausa precoce, tiver tido anorexia ou se for fumador, tudo isto são fatores de risco para ter osteoporose mais cedo”, acrescentou.

O rastreio nas farmácias é uma ação realizada pela Associação Nacional das Farmácias (ANF) e decorrerá durante o mês de maio. Após a iniciativa, será possível estimar a prevalência da população em risco de desenvolver osteoporose e fraturas por fragilidade, a nível nacional e regional, assim como realizar uma avaliação das características sociodemográficas da população rastreada.

C/Lusa 

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