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Comer mais sardinha e menos carne vermelha pode salvar até 750 mil vidas em 2050
Foto: RTP
Sociedade 10 abr, 2024, 10:19

Comer mais sardinha e menos carne vermelha pode salvar até 750 mil vidas em 2050

Peixes forrageiros, como arenque, sardinha e anchova, “são uma alternativa promissora à carne vermelha” e o aumento do seu consumo pode resultar em benefícios importantes para a saúde, evitando entre 500 mil e 750 mil mortes em 2050.

O estudo divulgado esta terça-feira é uma análise de dados liderada pelo Instituto Nacional de Estudos Ambientais de Tsukuba (Japão), que acrescenta que a prevalência de incapacidades causadas por doenças relacionadas com a alimentação pode ser significativamente reduzida.

As possíveis mortes evitadas em todo o mundo estariam relacionadas, em particular, com doenças coronárias e também poupariam entre 8 e 15 milhões de anos de vida vividos com incapacidade, a maioria concentrada em países de rendimento baixo e médio.

O peixe forrageiro só pode substituir uma fração, cerca de 8%, da carne vermelha mundial devido à sua oferta limitada, mas poderia aumentar o consumo global diário per capita de peixe para perto do nível recomendado, bem como reduzir as mortes por doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e cancro do intestino em 2% até 2050.

A adoção deste tipo de dieta seria “especialmente útil” para países de rendimento baixo e médio, onde estes peixes são baratos e abundantes, e onde o número de doenças cardíacas, em particular, é elevado.

A investigação publicada pela BMH Global Health baseia-se em bases de dados sobre previsões de carne vermelha para 2050 em 137 países e em dados históricos sobre capturas de peixes forrageiros em habitats marinhos.

Existem evidências crescentes que associam o consumo de carne vermelha e processada a um risco aumentado de doenças não transmissíveis, que foram responsáveis por cerca de 70% de todas as mortes em todo o mundo em 2019.

Destes, lembrou o estudo, as doenças coronárias, os acidentes vasculares cerebrais, a diabetes e o cancro do intestino representaram quase metade (44%), com as doenças coronárias a assumirem a maior parte.

Os peixes forrageiros marinhos são ricos em ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa ômega-3, cuja ingestão pode prevenir doenças coronárias, e são abundantes em cálcio e vitamina B12.

Além disso, têm a menor pegada de carbono de todas as fontes de alimentação animal.

Atualmente, recordaram os investigadores, três quartos das capturas, incluindo uma quantidade significativa capturada ao largo das costas de países que sofrem de insegurança alimentar e desnutrição, são esmagadas para obter farinha e óleo de peixe, que são utilizados, sobretudo, na piscicultura destinada a países de rendimento alto.

Para os países sem litoral, o estudo indica que a comercialização e o comércio globais de peixe forrageiro devem ser alargados.

 

Lusa

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