De acordo com o Crescente Vermelho, há confirmação de pelo menos 201 mortos e 747 feridos na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos.
Das 31 províncias iranianas, 24 foram atingidas, adianta ainda a organização. Este é o primeiro balanço oficial dos ataques lançados na manhã de sábado.
Ao longo das últimas semanas, os Estados Unidos tinham mobilizado para o Médio Oriente o maior destacamento militar norte-americano desde a invasão do Iraque, em 2003. Para além de ter pelo menos 30 mil militares estacionados na zona, foi ainda destacada uma armada gigantesca com os porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, e o USS Abraham Lincoln.
A ameaça adensou-se ao mesmo tempo que decorriam novas negociações entre Irão e Estados Unidos a respeito do programa nuclear iraniano.
Se Donald Trump admitia ainda na sexta-feira que não estava “satisfeito” com as conversações, o Irão preparava-se para deixar cair uma exigência de várias décadas antes da próxima ronda de negociações, prevista para Viena na próxima segunda-feira.
Segundo o mediador omani, Teerão aceitava pela primeira vez abdicar de armazenar urânio enriquecido no país, um fator essencial para o fabrico de uma bomba atómica. ”
A vossa única oportunidade” para derrubar o regime Essa cedência não terá sido suficiente para os dirigentes norte-americanos e israelitas, que decidiram desencadear nas horas seguintes um ataque de larga escala contra várias cidades iranianas.
Tanto os líderes em Washington como em Telavive assumiram que o objetivo desta intervenção, designada com “Operação Fúria Épica”, passa pela eliminação de “ameaças iminentes” de Teerão, mas também o fim do próprio regime.
Num vídeo gravado em que anuncia os ataques deste sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu aos norte-americanos para que “derrubassem o seu governo” assim que a ação militar fosse concluída.“Esta será provavelmente a vossa única oportunidade por várias gerações. Por vários anos, pediram ajuda aos Estados Unidos, mas nunca a obtiveram. (…) Agora, há um presidente que vos está a dar o que querem, por isso vamos ver como respondem”, assinalou.
No mesmo sentido, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque deste sábado poderia “criar as condições para que o corajoso povo iraniano possa tomar as rédeas do seu destino”. Nesta operação, israelitas e norte-americanos visaram três locais onde se reuniam responsáveis do regime iraniano.
Vários funcionários essenciais para a condução das operações militares iranianas e para a governação do regime “foram eliminados”, indicou um responsável militar israelita. Em entrevista à NBC News, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que o Líder Supremo Ali Khamenei, estava vivo, “tanto quanto sei”. No entanto, até à tarde deste sábado, é desconhecido o paradeiro do ayatollah, figura máxima do poder no Irão desde a morte de Khomeini, em 1989. Para além dos alvos militares, com destaque para as cidades com instalações nucleares ou revelantes para a elaboração de mísseis balísticos, foi também atingida uma escola iraniana para meninas no sul do Irão. Pelo menos 85 pessoas morreram. De acordo com o Crescente Vermelho, havia na tarde de sábado confirmação de pelo menos 201 mortos e 747 feridos na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos. Das 31 províncias iranianas, 24 foram atingidas, adiantava ainda a organização.
“Direito legítimo de autodefesa”
A resposta do Irão não se fez esperar. Logo após os primeiros ataques de Israel e Estados Unidos, as forças iranianas visaram vários países do Médio Oriente, o que levou ao cancelamento e suspensão de voos, ou até mesmo ao encerramento do espaço aéreo em vários países. Nas últimas horas o Irão já atacou o Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita e Kuwait. Os ataques visaram sobretudo as bases norte-americanas na região.
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que o país utilizará todos os seus meios militares, em conformidade com o seu direito de autodefesa, para se proteger. Araghchi indica que falou por telefone com homólogos de países como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Iraque, reiterando que o Irão utilizará “todas as suas capacidades defensivas e militares, em conformidade com o seu legítimo direito de autodefesa”, para proteger a integridade do país. Araghchi “recorda” ainda a estes países “a sua responsabilidade de impedir o uso indevido das suas instalações e territórios” pelos Estados Unidos e por Israel para fins de ataque, segundo o comunicado.
A milhares de quilómetros de distância, a base das Lajes volta a desempenhar um papel de relevo: os aviões reabastecedores estacionados na base norte-americana estão em estado de prontidão e pelo menos cinco aviões K-46 foram vistos a descolarem dos Açores. Na sequência dos ataques e retaliações nesta zona do globo, várias empresas petrolíferas suspenderam o transporte de combustível no Estreito de Ormuz, uma via decisiva para o comércio global.
Washington desaconselhou a navegação o Golfo e os Guardiães da Revolução anunciaram que o local é “perigoso” e a circulação está encerrada. As principais reações Com estes desenvolvimentos, o Conselho de Segurança da ONU reúne-se de emergência este sábado, pelas 16h00 locais (21h00 em Portugal Continental).
França, mas também a China e a Rússia tinham pedido uma reunião urgente deste órgão das Nações Unidas.
A nível europeu, a presidente da Comissão Europeia convocou uma reunião especial do Colégio de Segurança na segunda-feira. Num comunicado conjunto, António Costa, presidente do Conselho Europeu, e Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, pediram contenção máxima e proteção de civis após ataque dos Estados Unidos e Israel a Teerão.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou no sábado que as forças britânicas estão a participar em esforços defensivos coordenados para proteger os interesses e aliados do país.Starmer disse que os caças britânicos estiveram “nos céus” este sábado para “operações defensivas regionais coordenadas” com o objetivo de “proteger o nosso povo, os nossos interesses e os nossos aliados”. Também num comunicado conjunto, Berlim, Paris e Londres condenaram este sábado os ataques iranianos contra países da região e apelam ao regresso das negociações.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer apelam, numa declaração conjunta, que a liderança iraniana procure “uma solução negociada”.
A NATO indicou que está a acompanhar de perto os desenvolvimentos no Irão e na região, ainda que não tenham sido ativadas medidas imediatas.
Em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indicou este sábado que está a acompanhar “ao minuto” os desenvolvimentos da situação no Irão e em Israel e diz estar “em contacto permanente com a nossa rede diplomática”. A nossa prioridade é a segurança dos cidadãos portugueses”, indica o Ministério numa publicação na rede social X.