“De acordo com as informações de que dispomos nesta fase, [o suspeito] terá corrido na direção das nossas forças de intervenção munido de uma arma branca. Os membros da [unidade especial] SEK-Berlim recorreram então às suas armas de fogo”, indicou a polícia de Berlim.
“Apesar das medidas de reanimação imediatamente realizadas pelos bombeiros (…), o homem morreu no local”, indicou a polícia, acrescentando que a operação decorreu num jardim comunitário no distrito de Spandau, em Berlim.
Ao princípio da tarde de hoje, o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, tinha revisto em alta o balanço das vítimas do ataque, passando de 16 para 29 feridos. A única vítima mortal até ao momento registada é uma mulher.
Embora no dia anterior os bombeiros tivessem dado conta de três feridos em estado crítico, já ninguém se encontra “em perigo de morte”, anunciou o chanceler alemão, Friedrich Merz, durante uma cerimónia religiosa na igreja de Santa Maria, em Berlim.
O suspeito, cujo nome foi revelado pelo ministro do Interior — Abdul Ballout —, era um “cidadão alemão de origem libanesa” de 21 anos com um pesado registo criminal que incluía “radicalização e pertença a círculos islamistas”, acrescentou Dobrindt, antes do anúncio da morte do alegado simpatizante do grupo extremista Estado Islâmico (EI).
O Ministério Público relatou num comunicado o percurso judicial do suspeito, condenado em maio por ter tentado juntar-se ao EI na Síria através do Líbano, onde foi detido, condenado e repatriado para a Alemanha.
Se Abdul Ballout foi condenado a uma pena privativa de liberdade, mas não foi encarcerado, foi porque os seus seis meses de prisão preventiva na Alemanha e os seus três meses de detenção no Líbano foram tidos em conta, bem como o facto de ter reconhecido os factos, explicou o Ministério Público, no comunicado.
O ataque ocorreu no sábado, por volta das 22:00 locais (21:00 em Lisboa), no parque Tiergarten, a algumas centenas de metros do Portão de Brandemburgo, principal ponto de encontro na noite da Marcha do Orgulho, conhecida na Alemanha como Christopher Street Day (CSD), onde festejavam centenas de milhares de pessoas.
Segundo a polícia, um veículo branco atropelou transeuntes antes de embater numa árvore. Matriculado em Berlim, o monovolume Citroën ainda se encontrava no local do ataque na manhã de hoje, segundo relatou a agência noticiosa francesa AFP, gravemente danificado após ter embatido numa árvore. O veículo foi depois rebocado pelos investigadores.
Após o embate, o suspeito “lançou-se então contra outros transeuntes, armado com uma arma branca (…) — provavelmente um machete — e também os feriu gravemente”, descreveu Alexander Dobrindt.
Hoje, a polícia já não mencionava, como no dia anterior, a hipótese de um ataque envolvendo vários autores.
A polícia tinha lançado um apelo a testemunhas, acompanhado de uma fotografia e de uma descrição física do suspeito: magro, com cerca de 1,90 metros de altura, cabelo preto e vestido com um casaco com capuz preto e calças brancas.
“Estes atos têm um único objetivo: dividir a nossa sociedade”, reagiu hoje o chanceler Friedrich Merz, antes de assistir à cerimónia religiosa em homenagem às vítimas.
Convidadas por membros da comunidade LGBTQ para uma vigília em frente ao Portão de Brandemburgo no início da tarde de hoje, centenas de pessoas observaram ali um minuto de silêncio.
Este ataque reavivou a memória de uma série de atos semelhantes que abalaram a Alemanha nos últimos anos, acirrando o debate sobre a imigração, uma vez que vários dos autores eram de origem estrangeira.
O atentado mais mortífero dos últimos anos foi o perpetrado em dezembro de 2016 contra um mercado de Natal em Berlim por um tunisino com motivações jihadistas, causando 13 mortos.
O período que antecedeu as eleições legislativas de 2025 foi também marcado por uma onda de ataques em locais públicos, nomeadamente perpetrados por agressores islamistas, agressões que prepararam o terreno para a formação do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que se tornou a principal força da oposição e que agora ultrapassa a direita de Merz nas intenções de voto.
Hoje, um deputado da AfD, Martin Hess, considerou que o ataque à Parada do Orgulho “revela, mais uma vez, o fracasso total dos responsáveis em matéria de segurança” e de imigração.
Lusa