“Só perderemos estas eleições por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita, mas que agora têm que escolher entre um socialista e quem quer verdadeiramente fazer reformas no país”, afirmou André Ventura, no Hotel Mariott, em Lisboa, numa sala com mais de trezentos apoiantes, depois de os resultados das eleições presidenciais indicarem que irá disputar uma segunda volta com António José Seguro, apoiado pelo PS, em 08 de fevereiro.
Ventura falava depois de o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, ter anunciado que o seu partido não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições, após ter apoiado Luís Marques Mendes na primeira volta.
O também líder do Chega realçou que a direita “ganhou estas eleições” e que agora se verá “de que fibra são feitos” estes partidos à direita.
“Pois que andaram meses, anos, a dizer que tínhamos que combater o socialismo, que o socialismo era para acabar, que não podíamos continuar a ter socialistas em todos os cargos de poder, pois agora esse país, muito mais do que em 1986, agora esse país tem uma escolha diante de si próprio: tem um socialista e um não socialista nesta luta”, realçou.
André Ventura considerou que os resultados mostraram que a sua candidatura vai “liderar o espaço não socialista em Portugal”, que “o país despertou” e que os eleitores lhe confiaram a alternativa ao socialismo “que destrói”.
“A direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a liderança dessa direita em Portugal”, sublinhou.
Apesar de apelar a uma direita unida, André Ventura enalteceu, no seu discurso, que a sua candidatura conseguiu “derrotar o candidato do Governo e do montenegrismo”, e “derrotar o candidato que se dizia liberal, mas que tinha estado sempre na agenda globalista, na agenda ‘woke’ [termo usado pela direita ultraconservadora para atacar causas socialmente liberais], na agenda contra Portugal”.
Ventura visou também o seu adversário na segunda volta, antigo líder do PS, considerando que António José Seguro “é o representante máximo de tudo o que o país não deve aceitar”.
O também presidente do Chega recuou a 1986, único ano em que foi disputada a única segunda volta numas eleições presidenciais até domingo, lembrando que nessa altura “era o espaço da esquerda que estava fragmentado e não o espaço da direita”.
“O que é que aconteceu para mal dos nossos pecados? O candidato da esquerda, um dos candidatos da esquerda, venceu a batalha da esquerda, mas perdeu a primeira volta. Viria a ganhar a segunda volta das eleições. É isso que vai acontecer connosco no dia 08 de fevereiro”, antecipou.
Em curtas e caóticas declarações aos jornalistas, enquanto saía palco em direção às escadas do hotel, André Ventura escusou, novamente, falar do apoio de Luís Montenegro, insistindo num apelo ao “povo social-democrata e povo liberal”.
Apesar disso, sugeriu – tal como o fez em campanha – que ficará na consciência do líder do PSD dar ou não um apoio à sua candidatura.
“Se um líder que não quer o socialismo de volta e lutou contra o socialismo se sente bem em dizer aos seus apoiantes que quer um socialista ou quer um não socialista é a mesma coisa. Isso não é para mim, é para ele”, disse, recordando que, durante a campanha, afirmou que tudo faria na segunda volta para evitar um socialista no poder, caso não tivesse ficado nos dois primeiros lugares.
“Os meus adversários acham ou entendem que o seu ego é mais importante do que evitar um socialista no poder. Eu acho o contrário. E a partir de hoje começarei o trabalho para vencer”, salientou.
Lusa