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Ventura diz que polícias são “descartáveis” para o Governo, partidos acusam Chega de instrumentalização
Foto: Lusa
Política 14 mai, 2026, 19:49

Ventura diz que polícias são “descartáveis” para o Governo, partidos acusam Chega de instrumentalização

O líder do Chega considerou hoje que o Governo trata as polícias “como descartáveis” e a esquerda as vê “como inimigas”, num debate em que vários partidos o acusaram de instrumentalização e populismo.

O Chega fixou a ordem do dia do plenário na Assembleia da República, com um debate sobre várias propostas para as forças de segurança.

Na abertura, André Ventura afirmou que as forças de segurança “são vistas como inimigas pela esquerda e são vistas como descartáveis pelo Governo” e “não têm “condições para poderem trabalhar com dignidade”.

André Ventura considerou que o ministro da Administração Interna “faz gala da expulsão de polícias a toda hora, da sua perseguição com processos disciplinares, sem nunca ter em conta aquilo que de manhã à noite passam para assegurar a segurança de todos”.

“Aquilo que na esquadra do Rato alegadamente aconteceu, aquilo que acontece em qualquer esquadra que envolva agressões a cidadãos, que envolva tortura sobre cidadãos, sejam eles quais forem, claro que é um episódio grave e claro que é uma circunstância grave. Mas o que temos hoje é um ministro que todos os dias olha para a gravidade da conduta dos polícias e não vê que todos os dias polícias são agredidos, torturados, insultados, atacados”, afirmou.

O presidente do Chega disse que trouxe ao debate propostas “simples e sensatas”: “Propomos que as polícias voltem a ter o suplemento de risco que sempre deviam ter tido na equiparação plena e que o PS os impediu de ter, propomos que quem é assassinado no âmbito de serviço tenha uma compensação, propomos um suplemento de fixação dos polícias nas regiões autónomas, e o reforço da autoridade”, referiu.

O líder parlamentar do PSD acusou André Ventura de “usar a seu bel-prazer as forças e o serviço de segurança para poder vender a sua narrativa absolutamente populista”.

Hugo Soares defendeu que este foi o Governo “que mais valorizou a carreira e a remuneração” das polícias, sugeriu que Ventura também defenderia ações sobre certos elementos se tivesse responsabilidades governativas e questionou o que faria “perante a barbárie” do caso da esquadra do Rato.

Do lado do PS, também a deputada Isabel Moreira sublinhou que André Ventura “marcou este debate parlamentar para tentar defender a cumplicidade do Estado com a violência policial” e acusou-o de insultar as forças de segurança “quando disse que o ministro da Administração Interna estava mais preocupado em expulsar polícias do que a dar-lhe condições”.

Pelo Livre, o deputado Jorge Pinto acusou o Chega de “instrumentalizar [as forças de segurança] a seu favor” e desafiou André Ventura a condenar “sem mas nem meio mas” o que aconteceu no Rato.

A líder parlamentar do PCP considerou que “caiu, mais uma vez, a máscara ao Chega” e acusou o partido de “instrumentalizar e não dignificar os profissionais das forças de segurança quando trazem a debate diversas iniciativas misturando tudo”, o que classificou como “propaganda”.

Pelo CDS-PP, o deputado João Almeida criticou aqueles que “se indignam quando as forças de segurança exercem as suas funções, designadamente quando são chamadas a identificar cidadãos na via pública, mas depois não se indignam quando essas mesmas forças de segurança são impedidas de as desempenhar”.

O PAN afirmou que o este assunto “não pode ser tratado nem como chicana política, nem como arma de arremesso”, enquanto o BE quis denunciar “o oportunismo do Chega, que instrumentaliza a farda para alimentar o seu projeto autoritário”.

Já o JPP defendeu que estes profissionais “merecem reconhecimento, valorização e justiça”.

Estiveram a assistir ao debate nas galerias do parlamento elementos do Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), da Associação da União de Guardas, da Associação Socioprofissional Independente da Guarda e da Associação Nacional de Oficiais da GNR, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional e, ainda, da Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional.

Lusa

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