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Subida dos preços e desvalorização do bolívar preocupam luso-venezuelanos
Foto: EPA
Política 3 fev, 2026, 15:23

Subida dos preços e desvalorização do bolívar preocupam luso-venezuelanos

Um mês após o afastamento de Nicolás Maduro do poder, a comunidade portuguesa mostra-se esperançada que a Venezuela continue em paz, mas “muito preocupada” pela contínua subida dos preços e a desvalorização do bolívar.

“Temos esperança de que as coisas continuem em paz, mas os preços dos produtos e o valor cambial do dólar continua a subir, o que representa uma desvalorização contínua do bolívar, a moeda venezuelana”, explicou um comerciante português à Lusa.

Martinho Alves explicou que na Venezuela os preços dos produtos e serviços têm como base o dólar norte-americano, mas são pagos em bolívares, ao valor cambial do dia.

“Apesar de o valor oficial ser estabelecido pelo Banco Central da Venezuela, muitos preços, a nível de fornecedor, são calculados segundo o valor do dólar paralelo ou da criptomoeda USDT [Tether] que após o ataque norte-americano chegou a cotar-se em 900 bolívares e isso refletiu-se rapidamente no preço dos alimentos, medicamentos, bens e serviços”, disse.

No entanto, explicou que a cotação já baixou, estando pelos 500 bolívares, mas, em contraste, o valor da cotação oficial continua a subir, passando de 310 nos primeiros dias de janeiro para 370.

“O poder aquisitivo dos venezuelanos continua a deteriorar-se e continua a ser difícil aceder localmente a moeda estrangeira, o que dificulta as importações”, frisou.

O motorista Juan Goncalves explicou à Lusa que, “na Venezuela, os preços sobem em cada janeiro, mas este ano foi algo incompreensível, dificultando a já difícil vida das pessoas”.

Como exemplo referiu que os peitinhos de frango, as maçãs e as peras chegaram a estar em valores próximos aos 10 euros, a carne de vitela a 18 euros o quilograma e uma embalagem de 250 gramas de manteiga entre 10 e 12 dólares (entre 8,47 e 10,16 euros).

Os preços dos produtos de consumo obrigatório, como a massa, o arroz, os legumes e vegetais, e o café, disse, subiram entre 15 e 25%.

“Mas aqui há um fenómeno que não é novo, mas que continua a registar-se: os preços sobem, inclusive em moeda estrangeira, a inflação inclui a da moeda estrangeira e a ela soma-se a diferencia cambial, ou desvalorização do bolívar”, disse.

Contrariada com a situação, a reformada Ludovina Freitas explicou à Lusa que um medicamento que consome diariamente para a neuropatia diabética subiu de quase quatro mil bolívares (9,15 euros) em novembro para mais de 12.400 (28, 38 euros) em janeiro.

“Cada vez é mais difícil ter qualidade de vida, cuidar da saúde, principalmente para quem está na terceira idade”, desabafou.

Os Estados Unidos lançaram, em 03 de janeiro, um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

A vice-presidente executiva de Maduro, Delcy Rodriguez, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

Maduro e a mulher prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos se declararam inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

Na Venezuela vivem uma das maiores comunidades da diáspora portuguesa, que os dirigentes associativos estimam que, incluindo os luso-descendentes, possa rondar os 1,2 milhões de pessoas.

Lusa

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