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Política 05 dez, 2021, 12:18

Partidos antecipam cenários de governabilidade distintos

A menos de dois meses das legislativas, os partidos antecipam diferentes cenários de governabilidade, com a esquerda a admitir uma nova geringonça, o PS e o PSD a equacionarem entendimentos, e a direita a recusar fazer governo com o Chega.

Em entrevista à RTP no início de novembro, o primeiro-ministro, António Costa, pediu “o voto aos portugueses para uma solução estável para quatro anos de Governo”, mas afirmou que, “com ou sem maioria” absoluta, não irá deixar de “dialogar” com outros partidos e procurará um "entendimento duradouro com os seus parceiros", numa alusão ao Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

No que se refere a acordos pós-eleitorais com o PSD, contrariamente ao que proferiu anteriormente – em 2020, António Costa afirmou que “no dia em que a subsistência” do seu Governo “dependesse de um acordo com o PSD”, o Governo acabaria –, o primeiro-ministro frisou que, se lhe perguntarem se repete hoje a mesma frase, responderia que não pode garantir que irá “dar continuidade à geringonça”, sem se pronunciar diretamente quanto a um eventual entendimento pós-eleitoral com os sociais-democratas.

Já no PSD, o líder, Rui Rio, admite dialogar com os socialistas em “nome do interesse nacional” e negociar um acordo parlamentar para pelo menos meia legislatura, mas afirma que, caso o PSD ganhe as eleições, a primeira opção será dialogar com o CDS-PP e a Iniciativa Liberal (IL) se tal permitir maioria parlamentar.

No que se refere ao Chega, Rio anunciou abdicaria de formar Governo caso isso dependesse do partido de André Ventura.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu que “nunca haverá um Governo de direita se o BE o puder impedir”, e que, no pós-legislativas, “é com António Costa” que espera “negociar soluções”.

Catarina Martins considerou ainda que foi um “erro” o PS ter recusado o acordo proposto pelo BE a seguir às legislativas de 2019 e defendeu que, agora, o país precisa de “clareza” e “de um acordo forte, condicionado à esquerda”.

O PCP, pela voz do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, defendeu que a geringonça “foi uma fase da vida política nacional e não se repetirá tal e qual”, mas assinalou que os comunistas estão disponíveis “para uma convergência com o PS e não só”.

“O PCP contará sempre para a convergência em torno de uma política capaz de enfrentar a difícil situação atual”, disse Jerónimo de Sousa.

O PEV, que irá integrar com o PCP a Coligação Democrática Unitária (CDU) nas próximas eleições, afirmou que, no que se refere à viabilização de um eventual executivo minoritário socialista, “tudo aquilo” que considerar “positivo terá sempre o voto favorável do partido ou a viabilização da medida”, sendo que “tudo aquilo que for considerado negativo terá seguramente o voto contra”.

No CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos manifestou-se disponível para uma coligação pré-eleitoral com o PSD, por ser o seu “parceiro preferencial”, mas afirmou que não tem “receio rigorosamente nenhum de ir sozinho a eleições”.

Antes do chumbo do Orçamento do Estado ser conhecido, o líder centrista adiantou ao Expresso que um acordo parlamentar com o Chega para viabilizar um Governo “não o repugnaria”.

Já o PAN afirma que o seu primeiro objetivo é “conseguir mais representação” e continuar a “defender aquelas que são as suas bandeiras”, não descartando entendimentos pós-eleitorais nem com o PS nem com o PSD, “consoante aquilo que possa ser a matemática parlamentar que surgir do novo ato eleitoral”.

No que se refere à Iniciativa Liberal, o líder, João Cotrim Figueiredo, não descarta reproduzir a nível nacional o que aconteceu no Governo regional dos Açores – o partido tem um acordo de incidência parlamentar com o PSD –, afirmando que tanto os sociais-democratas como o CDS-PP podem contar “com uma atitude construtiva da IL” caso os seus líderes “estejam abertos a incorporar medidas liberais no seu programa”.

A IL descarta, no entanto, qualquer entendimento com o PS, PCP, BE e PAN – considerando que estes partidos “têm corporizado as soluções socialistas” -, e também com o Chega.

No que se refere ao Chega, André Ventura defende que o partido só viabilizará governos de direita caso tenha algum pelouro governamental – designadamente na área da Administração Interna, da Justiça, da Agricultura ou da Segurança Social – e afirma que não será “muleta” do PSD nem do "sistema".

As eleições legislativas terão lugar em 30 de janeiro.

C/Lusa

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