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Nicolás Maduro acusa observadores da União Europeia de espionagem
Política 29 nov, 2021, 14:08

Nicolás Maduro acusa observadores da União Europeia de espionagem

O Presidente Nicolás Maduro acusou os elementos da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE-UE) de serem “inimigos” dos venezuelanos que fizeram espionagem para tentar “manchar” as eleições regionais e municipais de 21 de novembro.

“Quem chegou? Espiões! Tentaram manchar o impecável processo eleitoral da Venezuela e não conseguiram, uma delegação de espiões”, disse o Presidente venezuelano.

Nicolás Maduro falava, no domingo, à televisão estatal durante a apresentação do balanço semanal da prevenção da pandemia de covid-19 no país.

“Digo isto uma e mil vezes, senhores espiões da União Europeia [UE] que vieram à Venezuela: nós, o bolivarianismo somos de verdade, e vocês têm bastantes provas, bastantes horas de gravações nos labores de espionagem na Venezuela”, disse Nicolás Maduro.

O governante venezuelano insistiu que os elementos da missão “não eram observadores internacionais, eram espiões da UE”, sublinhando: “O que vimos na delegação europeia não tínhamos visto em nenhuma delegação em 22 anos, nunca destacaram tantos, em número, de alegados observadores com uma metodologia de espiões”.

Maduro enfatizou que no país “houve umas eleições verificáveis, justas, livres e o chavismo ‘arrasou’”.

O chefe de Estado disse também que outros observadores internacionais da Organização das Nações Unidas, do Centro Carter dos Estados Unidos da América, da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) e da União Africa, “realizaram o seu trabalho”.

Por outro lado, disse que o relatório preliminar da MOE-UE está cheio de “improvisações e foi mal redigido”.

“Os que vieram como inimigos, a delegação de espiões da União Europeia, não encontraram um único elemento para criticar o sistema eleitoral (…) Era uma delegação de espiões, não eram observadores internacionais, andavam por todo o país espiando a vida social, económica e política", assegurou.

Em 21 de novembro, os venezuelanos foram às urnas para eleger as autoridades que nos próximos quatro anos vão dirigir os 23 estados e os 3.082 candidatos que vão exercer funções em 335 municípios do país.

O PSUV (partido do Governo) ganhou 19 dos 24 estados (incluindo o Distrito Capital) do país, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Em 2020 a União Europeia declinou um convite para estar presente nas legislativas, por considerar que “não cumpriam as condições para um processo eleitoral transparente, inclusivo, livre e justo”.

Chefiada pela eurodeputada socialista portuguesa Isabel Santos, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia foi convidada pelo CNE.

Um dia depois das eleições a MOE-UE (136 observadores, de 22 Estados-membros da União Europeia, da Noruega e Suíça) emitiu um relatório provisório dizendo que identificou melhores condições para a votação e um CNE mais equilibrado, a par da persistência de deficiências estruturais.

Numa conferência de imprensa, a chefe da missão explicou que o CNE, “que foi renovado em maio de 2021, é visto como a administração eleitoral mais equilibrada que a Venezuela teve nos últimos 20 anos, o que é chave para construir confiança na vida política”.

“Contudo, a campanha política esteve também marcada pela utilização extensiva de recursos do Estado. Apesar de o quadro legal estabelecer um poder sancionatório em termos de financiamento de campanhas e publicidade, do CNE não houve sanções às violações (…) isto demonstra que o CNE precisa de ser reforçado nos seus poderes sancionatórios”, explicou Isabel Santos.

Por outro lado, embora “o quadro legal eleitoral venezuelano cumpra a maioria das normas eleitorais internacionais básicas” a MOE-UE “pôde constatar uma falta de independência judicial, a não adesão ao Estado de direito e que algumas leis afetaram a igualdade de condições, equidade e transparência das eleições”, disse.

“No terreno estritamente eleitoral, houve habilitações arbitrárias de candidatos por meios administrativos e aos líderes e membros mais reconhecidos de alguns partidos foi-lhes suspenso o controlo dos seus símbolos e cartões eleitorais”, explicou a observadora.

O relatório definitivo será divulgado entre finais de janeiro e princípios de fevereiro de 2022.

C/Lusa 

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