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Netanyahu diz que continuará a atacar o Iémen “até que a missão esteja concluída”
Foto: EPA
Política 26 dez, 2024, 19:48

Netanyahu diz que continuará a atacar o Iémen “até que a missão esteja concluída”

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanayahu, prometeu hoje que Israel atacará os Huthis no Iémen “até que a missão” de os neutralizar “esteja concluída”, descrevendo-os como “braço terrorista do Irão”, após o bombardeamento de alvos militares no país.

“Estamos na Guerra do Renascimento”, disse Netanyahu numa declaração em vídeo a partir da base aérea onde, juntamente com o chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi, e o ministro da Defesa, Israel Katz, tem estado a acompanhar a campanha de bombardeamentos.

A força aérea israelita lançou hoje um ataque no Iémen, “com base em informações secretas”, contra infraestruturas controladas pelos Huthis, nomeadamente o aeroporto internacional de Sanaa, as centrais eléctricas de Hezyaz e Ras Kanatib e outras posições no porto de Hodeida, Salif e Ras Kanatib, na costa ocidental, segundo um comunicado militar.

Pelo menos quatro pessoas morreram e 21 ficaram feridas nos ataques, segundo o Ministério da Saúde e do Ambiente iemenita, controlado pelos Huthis.

O Irão condenou os ataques israelitas contra os rebeldes no Iémen, aliados de Teerão, qualificando-os de “crime”.

“Estes ataques constituem uma clara violação da paz e da segurança internacionais e um crime contra o povo heroico do Iémen, que não se poupou a esforços para apoiar o povo oprimido da Palestina face à ocupação e ao genocídio”, declarou o porta-voz dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, em comunicado.

Segundo Telavive, os alvos estavam a ser utilizados pelos Huthis para contrabandear armas iranianas para a região e como porta de entrada para altos funcionários do regime iraniano.

O exército israelita acusou o grupo armado iemenita de depender do financiamento iraniano e de agir como agente da República Islâmica, atacando navios internacionais no Mar Arábico, no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, para desestabilizar a região.

“Estamos determinados a cortar o braço terrorista do Irão”, adiantou Netanyahu.

O ataque israelita ao aeroporto da capital interrompeu também o embarque do chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanmon Ghebreyesus.

“Quando estávamos prestes a embarcar no nosso voo de Sanaa, há cerca de duas horas, o aeroporto foi alvo de bombardeamentos aéreos”, afirmou Ghebreyesus nas redes sociais.

Ghebreyesus acrescentou que “pelo menos duas pessoas foram dadas como mortas no aeroporto” e que a torre de controlo, a sala de embarque e a pista foram danificadas.

Em tom religioso, Netanyahu aludiu à data em que o bombardeamento ocorre, no segundo dia do feriado judaico de Hanukkah, que comemora a resistência dos judeus macabeus ao cerco grego.

“[Nós somos] a geração macabeia moderna”, disse, a partir da base militar.

Os Macabeus foram um grupo de guerreiros rebeldes judeus que tomaram o controlo da região da Judeia, atualmente parte da Palestina e Israel, no século II A.C., que na altura fazia parte do Império Seleucida, um Estado grego da Ásia Ocidental.

Já durante a noite de quarta-feira, o primeiro-ministro israelita ameaçou dar aos rebeldes Huthis do Iémen “a mesma lição” aplicada a outros aliados do Irão, como a milícia xiita Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza ou o deposto regime sírio.

“Os Huthis também aprenderão o que o Hamas, o Hezbollah, o regime [de Bashar] al-Assad e outros aprenderam, e isso também levará tempo. Esta lição será aprendida em todo o Médio Oriente”, disse Netanyahu em Jerusalém, na primeira cerimónia de acendimento de velas do feriado judaico Hannukah.

Como no tempo bíblico, Israel continua a atacar “os seus inimigos e aqueles que pensavam que podiam cortar o fio das nossas vidas”, adiantou o governante.

Com o ataque, Israel afirma responder aos Huthis, que “atacaram repetidamente o Estado de Israel e os seus cidadãos, incluindo ataques com ‘drones’ e mísseis terra-terra”.

Na quarta-feira à tarde, um ‘drone’, cuja propriedade foi atribuída aos Huthis, caiu num espaço aberto em território israelita sem causar quaisquer vítimas e nas primeiras horas da manhã os sistemas de defesa aérea intercetaram um míssil que se dirigia para o centro do país.

Desde novembro de 2023, um mês após o início da guerra em Gaza, os Huthis têm atacado navios, principalmente no Mar Vermelho, e alvos em Israel, aproveitando a posição estratégica do Iémen.

Estas ações têm continuado apesar de as suas posições terem sido bombardeadas em várias ocasiões pelos Estados Unidos, Israel e Reino Unido.

Os rebeldes Huthis do Iémen reivindicaram na quarta-feira três novos ataques às cidades israelitas de Telavive e Ashkelon com um míssil balístico hipersónico e dois ‘drones’, apesar das advertências israelitas de responder “com força” a estas ações.

Lusa

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