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NATO diz que protegerá «cada centímetro» da Aliança
Política 04 mar, 2022, 10:50

NATO diz que protegerá «cada centímetro» da Aliança

A NATO sublinhou hoje que é uma organização defensiva, que não procura o conflito armado com a Rússia, mesmo à luz da agressão à Ucrânia, mas advertiu que, se o conflito chegar à Aliança, protegerá «cada centímetro» do seu território.

“Somos uma aliança defensiva, não procuramos conflitos, mas se o conflito chegar a nós, estamos prontos e vamos defender cada centímetro do território da NATO”, advertiu o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, à chegada ao quartel-general da Aliança, em Bruxelas, para uma reunião do Conselho do Atlântico Norte ao nível de chefes de diplomacia.

A seu lado, o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, realçou igualmente que “a NATO não faz parte do conflito, a NATO é uma aliança de defesa”, que “não procura o conflito bélico com a Rússia”, mas advertiu também para a intransigência da organização na defesa de todos os seus membros.

“Ao mesmo tempo, temos que assegurar que não há quaisquer mal-entendidos sobre o nosso compromisso em defender e proteger todo os aliados, e daí termos aumentado a presença de forças da NATO na zona leste da Aliança”, declarou.

Stoltenberg apontou que o objetivo da reunião de hoje é “coordenar a resposta à invasão brutal da Ucrânia pela Rússia”, mas também “as implicações a longo prazo”.

Também Blinken disse que os Aliados estão igualmente a preparar “o futuro da NATO”, comentando que “os acontecimentos das últimas semanas forjarão ainda mais esse futuro”, a ser desenhado com o novo conceito estratégico da organização e a próxima cimeira da NATO, “dentro de alguns meses”, em junho, em Madrid.

O chefe da diplomacia norte-americana saudou a forma como, “face à agressão premeditada da Rússia contra a Ucrânia, a Aliança juntou-se com velocidade, unidade e determinação”, apontando que, “cada aliado, de uma forma ou outra, está a assistir a Ucrânia e o reforço da NATO”.

Relativamente aos mais recentes acontecimentos no terreno, o secretário-geral da organização apontou que o ataque russo à central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa, “demonstra bem a imprudência desta guerra, a importância de lhe por fim, e a importância de a Rússia retirar todas as tropas e comprometer-se de boa fé com os esforços diplomáticos”.

Bruxelas acolhe hoje reuniões extraordinárias de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO e da União Europeia, ambas em formatos alargados, para discutir a guerra em curso na Ucrânia, ao nono dia da ofensiva militar russa.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, estará presente nas duas reuniões, nas quais Portugal estará representado pelo ministro Augusto Santos Silva.

De manhã, tem lugar no quartel-general da NATO uma reunião extraordinária do Conselho do Atlântico Norte, o principal organismo de decisão política da organização, no qual cada país membro tem assento, ao nível dos chefes de diplomacia, alargada aos chefes de diplomacia da Suécia, Finlândia e UE.

A partir das 16:00 locais (15:00 de Lisboa), os chefes de diplomacia dos 27 reúnem-se naquele que é o quinto Conselho extraordinário de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE no espaço de pouco mais de uma semana, também em formato alargado.

Esta reunião foi convocada na quarta-feira pelo Alto Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell, que convidou para o encontro homólogos de países aliados e o ministro ucraniano, Dmytro Kuleba, que participará por videoconferência.

Além dos 27, participarão então no encontro Kuleba, Blinken e ainda os chefes da diplomacia do Reino Unido, Liz Truss, e do Canadá, Melanie Joly, além do secretário-geral da NATO.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

Lusa

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