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Moreira da Silva confirma que é candidato à liderança e quer renovar partido
Política 14 abr, 2022, 11:15

Moreira da Silva confirma que é candidato à liderança e quer renovar partido

O antigo dirigente do PSD Jorge Moreira da Silva confirmou hoje que será candidato à liderança social-democrata pelo momento difícil que o partido e o país atravessam e por entender ter um “projeto capaz de renovar” o PSD.

Em comunicado, Jorge Moreira da Silva começa por anunciar a sua demissão das funções de Diretor da Cooperação para o Desenvolvimento, na OCDE, cargo que ocupava desde 2016, em Paris, e cujo exercício seria incompatível com a sua candidatura.

“Candidato-me à liderança do PSD por sentido de responsabilidade – atendendo às circunstâncias difíceis que tanto Portugal como o PSD enfrentam – e animado pela firme convicção de que sou portador de um projeto capaz de renovar o PSD, libertar o potencial de Crescimento Sustentável em Portugal e assegurar que os portugueses reconquistam o seu pleno Direito ao Futuro”, refere.

O antigo primeiro vice-presidente do PSD anuncia ainda que a apresentação pública da candidatura será feita na próxima segunda-feira, às 17:00, no Clube Monsanto, em Lisboa.

No comunicado, Moreira da Silva anuncia que acaba de comunicar ao secretário-geral da OCDE a sua demissão “com efeitos imediatos” do cargo que ocupava há quase seis anos, dois dias depois de ter apresentado publicamente os resultados anuais da ajuda pública ao desenvolvimento, “que atingiram o máximo histórico”.

“Atendendo aos estatutos da OCDE e ao seu código de conduta, uma candidatura à liderança do PSD exigiria uma demissão prévia das minhas funções na OCDE, de forma a salvaguardar a independência desta organização internacional”, justifica.

Moreira da Silva acrescenta que a “difícil decisão” que tomou, realçando que “está em causa a cessação de funções de relevante interesse público internacional”, resultou de “uma profunda reflexão sobre o propósito, sobre o contexto e sobre a motivação de uma candidatura à liderança do PSD”.

O antigo ministro de Passos Coelho faz ainda um balanço das funções que desempenhou na OCDE, que diz deixar com “sentimento de dever cumprido”.

“Liderei, nos últimos seis anos, o desenho e a negociação de um conjunto alargado de reformas na arquitetura da cooperação internacional e investi todo o meu capital político num reforço, sem precedentes, da solidariedade internacional”, refere, destacando que o fez “num período marcado por sucessivas crises globais”.

Moreira da Silva salienta que, quando iniciou funções em 2016, o volume anual de ajuda pública ao desenvolvimento, concedido pelos 30 principais doadores internacionais aos países mais pobres situava-se em 145 mil milhões de dólares.

“Saio da OCDE com o valor mais alto de sempre (desde o início da monitorização em 1960), superando 179 mil milhões de dólares”, refere.

Moreira da Silva será o segundo candidato anunciado à sucessão de Rui Rio nas eleições diretas do PSD marcadas para 28 de maio, depois de Luís Montenegro já se ter apresentado publicamente.

Esta será a primeira candidatura de Jorge Moreira da Silva à presidência do PSD, ao contrário de Luís Montenegro que vai disputar o cargo pela segunda vez, depois de em janeiro de 2020 ter perdido para Rui Rio, numa inédita segunda volta no partido..

Além do cargo na OCDE de que se demitiu hoje, Jorge Moreira da Silva preside ao ‘think-tank’ Plataforma para o Crescimento Sustentável, que fundou há 10 anos e que reúne cerca de 500 pessoas de diversos quadrantes.

Em setembro do ano passado, apresentou um livro intitulado “Direito ao Futuro” no qual defendeu que se deve discutir “menos partidarite e mais políticas públicas”, e que “um líder tem de ser um líder servidor”.

Moreira da Silva tem 50 anos foi líder da Juventude Social-Democrata (entre 1995 e 1998), deputado, eurodeputado, e primeiro vice-presidente do PSD, durante a liderança de Pedro Passos Coelho, tendo sido no seu Governo ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

Em novembro de 2020, defendeu a realização de um congresso extraordinário do PSD para clarificar a estratégia de “coligações e entendimentos” da direção de Rui Rio e atacou a “traição” aos valores do partido pela solução governativa nos Açores, com o Chega.

Foi diretor da área de Economia da Energia e das Alterações Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, secretário de Estado Adjunto da Ministra da Ciência e do Ensino Superior e consultor do Presidente da República Cavaco Silva nas áreas da Ciência, Ambiente e Energia, entre 2006 e 2009.

Recebeu a insígnia Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída por este chefe de Estado, e a Comenda de Mérito Civil, atribuída pelo rei de Espanha.

Lusa

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