Luís Montenegro inaugurou hoje a Avenida Francisco Pinto Balsemão, em Cascais (no distrito de Lisboa), que se estende por 2,5 km a partir do Forte de São Jorge de Oitavos, próximo da casa onde viveu, no dia em que o militante número do PSD, que morreu no ano passado, faria 89 anos.
No seu discurso, o chefe do Governo apontou o fundador do partido como exemplo de que se deve arriscar e não temer as mudanças, bem como uma mensagem sobre o que seu percurso significa para o Governo.
“Eu confesso-vos aqui como primeiro-ministro, em nome do Governo, que o exemplo dele nos motiva, nos incentiva, nos estimula para podermos também não definhar perante as adversidades e poder reconquistar confiança, poder reconquistar ânimo, quando às vezes os indícios são em sentido contrário”, afirmou Montenegro.
O primeiro-ministro não falou à comunicação social à margem desta homenagem ao fundador do Expresso e da SIC na qual aproveitou para se referir à “grande responsabilidade de quem informa”.
“Num mundo marcado pela desinformação, pela manipulação, pela deturpação, pela insinuação, o rigor – o espírito livre, com certeza – mas o rigor, os princípios, o princípio da verdade são hoje determinantes para nós termos um futuro mais risonho. E um futuro risonho era uma coisa que Francisco Pinto Balsemão tinha sempre em mente, porque ele era um otimista”, acrescentou.
Montenegro elogiou a tolerância do pensamento de Francisco Pinto Balsemão e a forma como defendeu a liberdade de imprensa, por vezes com “uma atitude que roçava o masoquismo”.
“Nós bem o sentíamos muitas vezes, porque de todos estes instrumentos muitas vezes saiam posições que eram contrárias àquelas que ele defendia, e até uma outra vez com interesses contraditórios, mas ele convivia bem com isso, aguentava bem isso”, disse.
Das lições que retirou da vida e percurso de Balsemão, Montenegro apontou o seu interesse, nos últimos anos, pelos desenvolvimentos na área da Inteligência Artificial.
“Nós não temos de ter medo de nada, não temos de temer a evolução, não temos de temer a transformação, nós temos de saber adequar as nossas posições, o enquadramento das nossas vidas a nível pessoal, a nível familiar, a nível social, a nível político também, àquelas que são as circunstâncias que temos pela frente”, disse.
Montenegro salientou ainda o exemplo de cidadania, mas também de exigência que foi Pinto Balsemão, deixando até uma nota pessoal.
“Muitas vezes gostava mais de ter tido o apoio que, enfim, do ponto de vista partidário, procurava e não tive. Mas isso foi uma manifestação de exigência, de liberdade, que culminou sempre em grandes conversas e numa solidariedade, como talvez mais nenhum daqueles que me antecederam no meu lugar no partido e no governo tiveram”, frisou.
O primeiro-ministro considerou que o otimismo de Balsemão é uma qualidade faz falta na vida política.
“Quando ele falava de Portugal, das opções políticas, mesmo daquelas que ele discordava, quando ele falava até de alguma descrença com a classe política, ele falava sempre com o intuito de: vamos conseguir fazer melhor. Eu sei que vamos conseguir fazer melhor”, corroborou.
Antes, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, recordou Balsemão como “um homem que serviu a democracia na sua forma mais pura, feita de pluralismo e respeito pela diferença”.
Na cerimónia, marcaram presença os ministros Miguel Pinto Luz e Margarida Balseiro Lopes, os vice-presidentes do PSD Leonor Beleza e Sebastião Bugalho e figuras como o antigo presidente da Câmara Carlos Carreiras, entre muitas personalidades do grupo Impresa.
Francisco Pinto Balsemão, antigo líder do PSD, ex-primeiro-ministro e fundador do Expresso e da SIC, morreu a 21 de outubro de 2025 aos 88 anos.
Balsemão foi fundador, em 1973, do semanário o Expresso, ainda durante a ditadura, da SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992, e do grupo de comunicação social Impresa.
Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata PSD. Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi, até agora, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
Lusa