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Marcelo defende que justiça está por fazer para antigos combatentes
Política 25 abr, 2021, 15:28

Marcelo defende que justiça está por fazer para antigos combatentes

O chefe de Estado elogiou este domingo os militares de Abril e em particular Ramalho Eanes, primeiro Presidente eleito em democracia, e defendeu que a justiça está por fazer para os antigos combatentes da guerra colonial.

Na sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril, na Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o passado colonial português e realçou que os militares de Abril "não vieram de outras galáxias nem de outras nações, nem surgiram num ápice naquela madrugada para fazerem História".

Esses militares "transportavam consigo já a sua história, as suas comissões em África, uma, duas, três, alguns quatro", e tiveram de optar ao serviço das Forças Armadas "entre cumprir ou questionar" e "entre aceitar ou a partir de certo instante romper", enfrentando "situações em que a linha que separa o viver do morrer é muito ténue", referiu.

O Presidente da República afirmou que "os heróis naquela madrugada do 25 de Abril" de 1974 "não eram, não tinham sido militares de alcatifa, tinham sido grandes militares no terreno".

E enquadrou o 25 de Abril como o "resultado de décadas e depois crucialmente grito de revolta de militares que tinham dado anos das suas vidas à pátria no campo de luta", antes de "suscitar o processo popular revolucionário que o seguiu e apoiou" e de se tornar "património nacional, em que o seu único soberano é o povo português".

"Eis por que razão é tão justo galardoar os militares de Abril, tendo merecido já uma homenagem muito especial aquele de entre eles que, depois de ter estado no terreno, veio a ser peça chave na mudança de regime e primeiro Presidente da República eleito na democracia portuguesa, e que sempre recusou o marechalato que merecia e merece, o Presidente António Ramalho Eanes", acrescentou.

A sua saudação aos militares "qualificadamente representados pela Associação 25 de Abril" nesta sessão solene e o elogio ao general Ramalho Eanes motivaram palmas no hemiciclo.

Mais à frente no seu discurso, que durou cerca de vinte minutos, o chefe de Estado defendeu que há que "assumir a justiça largamente por fazer ao mais de um milhão de portugueses que serviram pelas armas o que entendiam ou lhes faziam entender constituir o interesse nacional".

"É prioritário estudar o passado e nele dissecar tudo, o que houve de bom e o que houve de mau. É prioritário assumir tudo, todo esse passado, sem autojustificações ou autocontemplações globais indevidas, nem autoflagelações globais excessivas", sustentou.

Depois de pedir que se assuma "a justiça largamente por fazer ao mais de um milhão de portugueses que serviram pelas armas" na guerra colonial, Marcelo Rebelo de Sousa estendeu a sua mensagem "aos outros milhões que cá ou lá viveram a mesma odisseia".

O Presidente da República mencionou os que estavam "do outro lado" em África "combatendo o império colonial português, batendo-se pelas suas causas nacionais", mas também os que estavam "do mesmo lado" de Portugal e "ficaram esquecidos, abandonados por quem regressou e condenados por quem nunca lhes perdoou o terem alinhado com o oponente".

Em seguida, falou ainda dos portugueses, "quase um milhão, que chegaram rigorosamente sem nada, depois de terem projetado uma vida que era ou se tornou impossível" nas antigas colónias, e dos africanos, "milhões, que sofreram nas suas novas pátrias conflitos internos herdados da colonização ou dos termos da descolonização".

Por respeito por todos, apelou nesta intervenção a que se faça a "história da História" e a que "se retire lições de uma e de outra, sem temores nem complexos, com a natural diversidade de juízos própria da democracia".

C/Lusa 

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