O ataque ocorreu na zona de al-Zahra, e os corpos dos três jornalistas foram “transferidos para o Hospital dos Mártires de al-Aqsa, em Deir el-Balah”, indicou a Defesa Civil, organização de primeiros socorros que opera sob controlo do movimento palestiniano Hamas, em comunicado.
A Defesa Civil identificou os três jornalistas mortos como Anas Ghneim, Mohammed Salah Qashta e Abdoul Raouf Shaath. Este último, profissional independente de imagem de 34 anos, colaborava regularmente com a AFP desde a retirada dos jornalistas da agência em Gaza, no início de 2024.
A Defesa Civil tinha referido um ataque de drone israelita a “um veículo civil”.
No entanto, no local, uma testemunha disse à agência noticiosa France-Presse (AFP) que os jornalistas utilizavam um drone para filmar a distribuição de ajuda humanitária gerida pelo Comité Egípcio de Socorro, quando um veículo que os acompanhava foi alvo de um ataque aéreo.
Em vigor desde 10 de outubro está uma trégua precária na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de a violar.
Segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza, outros oito palestinianos também foram hoje mortos em ataques israelitas no território.
Relativamente aos jornalistas, o exército israelita declarou ter atingido três “suspeitos” que operavam um drone na zona.
“Forças israelitas identificaram vários suspeitos a operar um drone afiliado ao Hamas no centro da Faixa de Gaza”, indicou um comunicado, sem fornecer mais pormenores sobre essa alegada ligação.
“Devido à ameaça que o drone representava para as tropas”, as forças israelitas “atacaram com precisão os suspeitos que o tinham ativado”, acrescentou o exército, precisando que “os pormenores do incidente estão a ser analisados”.
O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos condenou o ataque “com a mais firme determinação”, classificando-o como “uma política sistemática e deliberada levada a cabo pelo ocupante israelita para atingir intencionalmente os jornalistas palestinianos”.
Por sua vez, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) exigiu já uma “investigação transparente” à morte dos três jornalistas.
“O CPJ condena o ataque israelita a um veículo civil claramente identificado no centro de Gaza, que causou a morte dos fotojornalistas independentes num contexto de um cessar-fogo em vigor”, declarou Sara Qudah, diretora para o Médio Oriente do CPJ.
Num comunicado, Qudah sublinhou que Israel, que “possui tecnologia avançada capaz de identificar os alvos”, tem a “obrigação, nos termos do direito internacional, de proteger os jornalistas”.
O Hamas, que tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, denunciou um “crime de guerra”, sublinhando que os três jornalistas foram mortos no exercício de funções. O movimento não reivindicou qualquer ligação entre os três homens e a organização, como costuma fazer quando um dos seus membros é morto.
O frágil cessar-fogo em Gaza, primeira fase do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para pôr fim à guerra, tem sido marcado por incidentes diários, enquanto a situação humanitária no território continua crítica.
Quase 470 palestinianos morreram desde o início da trégua, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sob controlo do Hamas. O exército israelita, por sua vez, indicou que três dos seus soldados foram mortos no mesmo período.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), as forças israelitas mataram pelo menos 29 jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel, tornando o território palestiniano, de longe, o local mais mortal do mundo para a imprensa neste período, afirmam os RSF.
Lusa