Além do anúncio, a diplomacia israelita afirmou que “Israel não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal sobre Gaza”, numa breve mensagem nas redes sociais citada pela agência de notícias espanhola EFE.
A maioria dos cerca de 430 ativistas detidos esta semana por Israel em águas internacionais quando navegavam rumo a Gaza, todos estrangeiros, à exceção de uma mulher israelita, abandonou o país em três aviões fretados pela Turquia.
O primeiro avião descolou por volta das 15:00 locais (13:00 em Lisboa), disseram fontes dos participantes à EFE.
Os dois portugueses, os médicos Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, devem ficar em Istambul até sexta-feira, aguardando uma ligação direta para o Porto, onde residem, disse fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.
O repatriamento dos ativistas foi feito a partir do aeroporto de Ramon, no extremo sul de Israel.
Dois ativistas da Coreia do Sul foram deportados diretamente sem passar pela prisão, enquanto a ativista israelita compareceu hoje perante um juiz, que a libertou.
Segundo a equipa jurídica da ativista israelita, alguns dos estrangeiros deverão sair por via terrestre por pertencerem a países vizinhos, como a Jordânia ou o Egito.
Os participantes na flotilha são de cerca de 40 países, incluindo os dois portugueses, 44 espanhóis e 74 turcos.
Vários países europeus convocaram os embaixadores de Israel para protestar contra o tratamento vexatório dado por Telavive aos ativistas da Flotilha Global Sumud, exibido num vídeo pelo ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir.
O ministro visitou o porto de Ashdod, onde os cerca de 430 ativistas se encontravam algemados, amontoados e ajoelhados de frente para o chão.
Ben Gvir celebrou a operação com a divulgação de um vídeo no qual aparecia sorridente e a empunhar a bandeira de Israel, enquanto dava as “boas-vindas” aos ativistas e os ridicularizava.
Os participantes na flotilha pretendiam furar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.
A mais recente ofensiva militar israelita em Gaza começou em outubro de 2023, como resposta a ataques do grupo radical palestiniano Hamas em Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e 250 reféns, entretanto libertados.
Israel enfrenta acusações de genocídio em Gaza após ter matado mais de 72.700 pessoas e causado a destruição em grande escala do território.
Lusa