“O anúncio de hoje é, aparentemente, uma boa notícia para a população do concelho de Porto Moniz. Porém, chega tarde, contradiz afirmações anteriores do presidente do Governo Regional e carece agora de concretização”, dizem os autarcas desta câmara municipal governada pelo PS.
A autarquia diz reagir com “surpresa e expectativa” às declarações do secretário regional dos Equipamento e Infraestruturas, Pedro Rodrigues, que numa informação divulgada hoje apontou que a via expresso entre o Seixal e São Vicente, no norte da Madeira, vai ser intervencionada de forma a mitigar os efeitos das frequentes derrocadas.
Segundo o executivo madeirense, a solução passa por construir um “falso túnel”, à semelhança do que já foi feito noutros locais, de modo a “absorver a energia e o impacto das pedras que possam cair daquela escarpa”.
De acordo com o Governo Regional, “encontram-se na fase final os planos de monitorização ambiental exigidos, uma vez que aquele troço de estrada tem zonas que têm de ser consolidadas abaixo da respetiva via devido à erosão marítima”.
A tutela realça que a intervenção já estava prevista antes da derrocada de sexta-feira, entre o Seixal e o Porto Moniz, que atingiu um cidadão e lhe causou ferimentos.
Uma equipa de rocheiros foi hoje à zona onde ocorreu o incidente de sexta-feira para avaliar a situação.
Depois disso, acrescenta o Governo Regional, será decidido se há necessidade de tomar medidas e fazer uma intervenção no local.
A Câmara do Porto Moniz lembra que ficaram por responder os pedidos de audiência com o chefe do executivo madeirense e com o secretário regional da tutela para abordar os problemas daquela via.
“Os alertas são antigos, os incidentes também”, salienta o município, argumentando que “as reivindicações efetuadas publicamente são o resultado da inoperância de um governo que vem adiando o que é essencial”.
Neste caso, aponta estar em causa “a segurança de um povo que todos os dias se desloca de e para o seu concelho, ladeado de escarpas e que não pode estar sujeito à roleta russa da permanente queda de pedras, à espera que mais uma fatalidade aconteça”.
Também destaca que este local “há muito que está assinalado como perigoso”, recordando que o Governo Regional, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque, “já tinha apresentado um projeto, devidamente estruturado e financeiramente quantificado, em cerca de 5 milhões de euros, com a verba necessária inscrita nos mapas de programação plurianual de investimentos, entre 2017 e 2022”.
“Em 2023, sem explicação, esse investimento desapareceu dos mapas”, complementa.
A autarquia frisa ainda que, no período de um mês, “ocorreram duas derrocadas” no local e que, “depois da primeira, o Governo Regional rejeitou intervir por alegada ausência de verbas e, na sequência da segunda, anunciou a intervenção”.
O município do Porto Moniz sustenta que “o que se exige agora é que o Governo Regional defina, de uma vez por todas, uma janela temporal concreta para a realização da empreitada e que não se limite novamente à apresentação de mais um projeto, de mais um estudo, de mais um investimento sem concretização no terreno”.
Lusa