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Inflação acumulada atinge 415,7% até julho
Política 10 ago, 2021, 00:14

Inflação acumulada atinge 415,7% até julho

A Venezuela registou 19% de inflação em julho e a inflação acumulada desde janeiro ascendeu a 415,7%, segundo dados divulgados hoje pelo Observatório Venezuelano de Finanças (OVF).

Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor e do Cabaz Básico indicam ainda que a inflação anualizada (últimos 12 meses) é de 1.984%.

"São necessários 162 salários mínimos para cobrir o cabaz alimentar. O salário mínimo (mensal) do venezuelano é de 1,87 dólares (1,60 euros)", explica.

Segundo o OVF, a educação, com 36,1%, foi o setor que registou maior inflação em julho, seguindo-se os de bens domésticos (31,6%), do lazer (27,2%), de bebidas alcoólicas e tabaco (24,9%) e da saúde (23,5%).

Aumentaram também os preços do vestuário e calçado (23,3%), bens e serviços diversos (22,1%), aluguer de casa (20,9%), restaurantes e hotéis (20,8%), transportes (20,4%), alimentos e bebidas não alcoólicas (19,4%), comunicações (15,8%) e outros serviços (14,6%).

O relatório dá conta de que a inflação de julho foi superior aos 6,4% registados em junho de 2021, o valor mais baixo desde 2017.

Em 5 de julho último, o Banco Central da Venezuela (BCV) anunciou que o país vai eliminar seis zeros ao bolívar soberano, a moeda local, a partir do próximo mês de outubro.

"A partir de 01 de outubro de 2021, o Bolívar Digital entrará em vigor, aplicando uma escala monetária que elimina seis zeros à moeda nacional. Ou seja, todos os valores monetários e tudo o que se processa em moeda nacional vai ser dividido por um milhão (1.000.000)", explica um comunicado do BCV.

Dois dias depois, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que quase 600 produtos importados, que afetam a produção local, vão passar a pagar impostos alfandegários, no âmbito de "uma política de substituição estratégica e gradual" das importações.

"O Presidente Nicolás Maduro aprovou um decreto que elimina as isenções fiscais de 597 códigos relacionados com produtos finais que podem estar a afetar a produção nacional", disse Rodríguez durante uma reunião do Conselho Superior de Economia da Venezuela, transmitido pela televisão estatal.

Segundo a imprensa local, a Venezuela está em hiperinflação desde novembro de 2017,

Atualmente, os preços dos produtos e serviços são afixados em dólares norte-americanos, cujo pagamento é feito em bolívares soberanos (BsS) ao valor da taxa oficial de câmbio que hoje estipulava o valor médio de 4.080.378,08 BsS para o dólar e 4.792.404,05 para o euro.

A população venezuelana queixa-se de que os preços dos produtos aumentam frequentemente, inclusive os valores em dólares, num país onde um quilograma de fiambre ou de queijo oscila entre 11,00 e 13 euros, 500 gramas de massa custam cerca de 1,50 euros, meio litro de azeite atinge os 8 euros e 1 kg de bacalhau ronda os 26 euros.

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