“O secretário-geral congratula-se com as discussões e os compromissos alcançados na Arábia Saudita (…). Chegar a um acordo sobre a liberdade de navegação no mar Negro para garantir a proteção das embarcações civis e das infraestruturas portuárias será um contributo crucial para a segurança alimentar global e para as cadeias de abastecimento”, indicou num comunicado divulgado pelo porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric.
Ao longo destes três anos de conflito na Ucrânia, Guterres esteve diretamente envolvido no Acordo dos Cereais do Mar Negro, que acabou extinto, mas que foi responsável pelo fluxo de alimentos, cereais e fertilizantes ucranianos e russos para os países em desenvolvimento, de forma a travar a crescente insegurança alimentar num período crítico da guerra.
Em fevereiro de 2024, já depois da extinção desse acordo, Guterres enviou uma carta aos Presidentes da Ucrânia, da Rússia e da Turquia com uma proposta para uma navegação segura e livre no mar Negro, com Dujarric a saudar agora o avanço das negociações nesse sentido.
Porém, Dujarric salientou que Guterres não está pessoalmente envolvido nas atuais negociações, nem as Nações Unidas.
“Os bons ofícios do secretário-geral continuam disponíveis para apoiar todos os esforços em prol da paz”, garantiu o porta-voz.
O secretário-geral reiterou ainda “a esperança de que tais esforços abram caminho para um cessar-fogo duradouro e que contribuam para alcançar uma paz justa, abrangente e duradoura na Ucrânia, em conformidade com a Carta da ONU, o direito internacional (…) e em pleno respeito pela independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia”.
Em julho de 2022, ONU, Ucrânia, Rússia e Turquia assinaram o Acordo dos Cereais do Mar Negro, que ajudou a limitar a grave crise alimentar mundial provocada pela invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
O acordo acabou por não ser renovado, tendo expirado em 17 de julho de 2023, depois de ter permitido exportar milhões de toneladas de cereais a partir de portos ucranianos.
Na ocasião, a Rússia considerou que o Ocidente não tinha cumprido a palavra ao não levantar determinadas sanções.
Desde então, a Ucrânia criou um corredor marítimo que lhe permite efetuar trocas comerciais, mas portos e navios são regularmente atacados.
Já na terça-feira, os Estados Unidos anunciaram um entendimento com as delegações ucraniana e russa para uma trégua dos combates no mar Negro, no âmbito das negociações na Arábia Saudita sobre o conflito na Ucrânia.
Os dois países concordaram “garantir a segurança da navegação, eliminar o uso da força e impedir o uso de embarcações comerciais para fins militares no mar Negro”, afirmou a Casa Branca, que fez o anúncio do acordo com Kiev e Moscovo em declarações separadas.
Lusa