Após ser questionado pelos jornalistas sobre a Madeira querer enviar um outro avião de busca e salvamento, além dos dois que estão previstos partirem hoje às 19:30 e às 20:00, Luís Neves respondeu que existe a possibilidade de Portugal enviar um terceiro avião.
“Há [essa possibilidade], provavelmente sim, portanto tem que se encontrar esse espaço, os Açores também querem, têm gente disponível para ir, mas nós temos que articular tudo isto com as autoridades da Venezuela”, explicou Luís Neves, no final de uma visita conjunta às instalações da sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Lisboa, com a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Luís Neves afirmou ainda que às vezes é preferível ter meios organizados que se possam substituir uns aos outros ou que vão sendo enviados de acordo com as necessidades do que enviar meios sem condições para trabalhar.
Os dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa, que partem hoje para a Venezuela, saem da Base Aérea de Beja.
O segundo comandante nacional de emergência e proteção civil, José Ribeiro, disse hoje à Lusa que cerca de 64 elementos da equipa de busca e salvamento vão num voo militar disponibilizado pela Força Aérea, referindo que os profissionais têm experiência nestas operações e que já participaram em outras missões de apoio a países afetados por sismos.
Fazem parte da missão 27 elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR), 15 do regimento sapadores bombeiros de Lisboa, 10 elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e 11 da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
A missão portuguesa está integrada no Mecanismo Europeu de Proteção Civil, apesar de partir de Portugal num voo exclusivo e de alguns países da União Europeia terem já chegado à Venezuela.
Hoje, o Governo regional da Madeira anunciou estar pronto para enviar 18 operacionais para a Venezuela, que integrarão uma força conjunta especializada em operações de busca, localização e salvamento de vítimas, segundo um comunicado da secretaria regional da Saúde e Proteção Civil numa nota enviada às redações.
A comitiva madeirense é constituída por seis operacionais do Serviço Regional de Proteção Civil (SRPC), 11 dos corpos de bombeiros da região autónoma e um médico da Equipa Médica de Intervenção Rápida (EMIR), informou o executivo madeirense (PSD/CDS-PP).
Segundo a nota, a Força Operacional Conjunta, que também integra elementos dos Açores, “será projetada com capacidade de autossuficiência logística para um período correspondente à duração da missão, estimada em 12 dias, garantindo alojamento, alimentação, abastecimento de água, comunicações, apoio sanitário e material operacional na área dos escoramentos, levando ao cumprimento das tarefas atribuídas”.
O Governo Regional não adiantou, porém, quando é que os operacionais chegam à Venezuela.
Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 28 portugueses e luso-descendentes, e outros 85 estão desaparecidos.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Na Venezuela vive uma das mais importantes comunidades portuguesas no mundo e a segunda maior da América Latina. É maioritariamente oriunda do arquipélago da Madeira, mas também da região centro (Aveiro) e norte (Porto) do país, segundo dados oficiais.
Estima-se que vivam na Venezuela 1,2 milhões de portugueses e lusodescendentes.
Lusa